A diretora da Associação de Proteção aos Autistas de Dois Vizinhos (Apadv), Maria de Cássia Bernardo Inácio, participou do Educadora News nesta terça-feira, 2, para lembrar a celebração do Dia Mundial do Autismo. A entidade duovizinhense é referência no Paraná e vive uma programação especial durante a semana para celebrar a data. Cássia falou sobre as dificuldades enfrentadas pelos autistas e seus familiares. “Existe a lei Berenice Piana, mas ainda os pais, as famílias, sofrem muito. Essa lei, muitas vezes, é rejeitada. Se toda a comunidade não se sensibilizar, procurar recursos e as políticas públicas não forem adequadas, eu não sei o que será do nosso futuro. Todo dia chegam quatro, cinco alunos na Apadv, que vem de todas as regiões a procura de atendimento. Então, notamos dificuldades grandes. Muitas famílias chegam desesperados e falam que precisam ver se a criança tem o perfil da escola ou se tem profissionais especializados para o atendimento. O autismo hoje é uma pandemia já que um em cada 36 nascidos no mundo tem traços de autismo, fora os adultos que vem tendo diagnóstico tardio. Como será o futuro, quem vai nos cuidar?”, destacou. Atualmente, a Apadv atende 164 alunos e tem lista de espera. “Temos demanda pra mais de 300”, resume a diretora.

História

A APADV nasceu em 2009 com a união de pais de crianças diagnosticadas com autismo. “Começamos a associação com cinco pais que não tinham atendimento para os seus filhos. Alguns já eram pré-adolescentes, adultos e muitas escolas nem aceitavam. Até dentro das famílias, amigos, muitos tinham resistência ou rejeição aos autistas, mas depois que eles têm vínculos, eles são muito amorosos, incríveis. Só quem convive, sabe como é. Depois de um tempo, fizemos um projeto, eu era professora estadual, junto com o Núcleo Regional de Educação (NRE), para fundar algo que eu não sabia se era escola, se era apoio, mas queria que uma equipe técnica oferecesse atendimento pedagógico e clínico no mesmo lugar aos autistas porque eles precisam de vínculos, precisam conhecer as pessoas porque isso muda tudo. Não existe medicamento, um tratamento certo, mas algumas ações auxiliam no tratamento. Pedimos um espaço pedagógico e na época eles criaram uma instituição que foi transformada num Centro de Atendimento Educacional Especializado (CAEE) que é tipo uma sala de recurso que funciona em prédio próprio e é mantida pela ONG, que é a Apadv. Somos especializados em Transtornos Globais do Desenvolvimento (TGD) que inclui autismo, síndrome de Rett, esquizofrenia e outros transtornos de comportamento. Não são síndromes, doenças aparentes no físico, são comportamentais. Por isso é difícil o diagnóstico e é difícil atender porque cada um tem sua necessidade. Níveis um, dois e três de suporte e o não verbal que é um grande desafio”, conclui.

Semana especial

Hoje, 2, o músico Gabriel Pasa fará uma visita e apresentação na escola pela manhã e à tarde. Na quarta-feira, 3, os alunos vão participar de uma oficina de culinária, dividida por turmas (organizada pela equipe multidisciplinar). Na quinta-feira, 4, pela manhã, terá gincana, karaokê, atividades livres e cama elástica; e à tarde contação de histórias com alunas da formação de docente. Na sexta-feira, 5, serão realizadas atividades no parquinho, com cama elástica e lanche especial partilhado no pátio. No sábado, 6, toda a sociedade é convidada a vestir azul e participar de uma caminhada que sai da Praça da Amizade às 6h30, vai até o Lago Dourado e retorna para a Praça da Amizade com ações de panfletagem. Para encerrar a programação, no dia 13 de abril, no CTG Saudades do Pago, a partir das 20 horas, será promovido um Jantar Dançante. Os ingressos já foram todos vendidos.

Fonte: Portal Educadora

Últimas Notícias