Objetivo é trabalhar no atendimento de mulheres em situação de vulnerabilidade e reduzir os índices de violência contra a mulher no nosso município.
Foto: Portal Educadora
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A Polícia Militar do Paraná deu início, no dia 1º de agosto, à Operação Mulher Segura 2025. O programa visa ampliar o atendimento a mulheres em situação de vulnerabilidade e reduzir os índices de violência por meio de medidas eficazes com as patrulhas Maria da Penha, fiscalização das medidas protetivas e atividades de conscientização.
Como estamos vivendo a ‘Semana D’, o programa Educadora News, da Educadora FM, recebeu, nesta terça-feira, 5, a Cabo Fernanda Bora e o Cabo Bergonski, da Patrulha Maria da Penha do 21º Batalhão da Polícia Militar de Francisco Beltrão, que falaram sobre a sua atuação. “A Operação Mulher Segura foi lançada em março de 2024 e aconteceu em algumas cidades. O número de violências e feminicídios aumentou bastante no ano, porém, nas cidades em que tivemos a operação, os números baixaram e, neste ano, foi proposto que a operação fosse implementada em todo o Estado. Diante disso, estamos também com a ‘Operação Chamar’, que vai ocorrer em agosto, que é o mês de enfrentamento à violência contra a mulher, e que foca, justamente, essas ações mais voltadas à prevenção e conscientização”, disse a Cabo Fernanda.
Bergonski falou sobre os tipos de violência. “Quando a pessoa fala em violência, a gente já imagina o olho roxo, mas a agressão física é apenas um tipo de violência que, normalmente, começa com a violência psicológica, quando o homem fala um ‘cala a boca’. Temos as formas de violência consideradas brandas, seja o controle, o ciúme, criando um ambiente tóxico. Também temos a violência patrimonial, com o homem segurando o cartão, dominando todo o salário da mulher, retendo documentos para não deixar a mulher viajar, por exemplo. Temos também a violência sexual, que é basicamente a gente entender que, quando a mulher fala que não, é não. Não adianta forçar por estar casado ou outra situação. E também temos a violência física, que é mais fácil perceber porque deixa marcas, mas pode ser um puxão de cabelo. São esses tipos de violência que já estão dentro da Maria da Penha”, explicou.
A rede de apoio funciona e, em caso de qualquer tipo de violência, são vários os meios que você pode procurar. “Numa situação de emergência, sempre indicamos a ligação ou o aplicativo do 190, pela rapidez do atendimento. Temos também o Núcleo Maria da Penha (Numape) e o Fórum, que é bem procurado pelas mulheres para orientação jurídica, a Delegacia da Polícia Civil, então, qualquer instituição pública estará bem orientada e aberta a encaminhar as vítimas de violência. Aqui temos também a Secretaria da Mulher, que pode ajudar. Para qualquer tipo de denúncia, você não precisa se identificar e a viatura vai até o local”, destacou a Cabo Fernanda. “É importante a população ter a consciência e ter a confiança de que essa rede de proteção vai funcionar. Temos que encorajar as mulheres a denunciar e sair da situação de violência”, completou Bergonski.
Se mete a colher, sim...
Cabo Fernanda explicou que vizinhos e amigos podem denunciar situações de violência. “Justamente pelo pensamento construído de que em briga de marido e mulher não se mete a colher é que temos altos índices de feminicídio e uma violência naturalizada nos relacionamentos. Esse é o pensamento que estamos tentando quebrar, modificar e reeducar a sociedade para que não aceite a violência como algo natural na vida em sociedade. Temos que meter a colher e denunciar qualquer tipo de violência contra qualquer pessoa, principalmente, em núcleos familiares. Em 2024, tivemos recordes de feminicídios no Brasil e o Paraná não está distante dessa realidade. Tínhamos 81 casos de feminicídio em 2023 e subiu para 109 em 2024. O primeiro semestre deste ano já apontou aumento também no número de feminicídios”, lamentou.
Ela ressaltou que também não se deve condenar as mulheres que permanecem nos núcleos familiares apesar das agressões. “Temos que lembrar que a gente não pode julgar porque uma coisa é a gente apontar um bandido na rua, que roubou uma bolsa, e gritar: pega o ladrão. Outra coisa é apontar para o seu marido, pai dos seus filhos, a pessoa que muitas vezes você tem uma dependência financeira, tem outros vínculos complexos como dependência emocional, e as pessoas que estão envolvidas nessa situação não estão com consciência plena da real situação delas, nem o homem nem a mulher. A ajuda externa é fundamental. Nossa intenção nunca é separar o casal, mas conscientizar, reeducar, que a relação não é saudável quando tem violência e muitas vezes isso funciona se fizermos o acompanhamento”, disse.
Bergonski completou. “A mulher não quer separar do marido, ele é um ótimo pai, trabalha a semana inteira, aquela velha história de que é ruim só quando bebe. Ela não quer separar, quer que ele pare de ser agressivo, e por essa esperança a mulher entra no ciclo de violência e não consegue se desvencilhar”, concluiu.
Fonte: Portal Educadora