Centro Cultural Arte e Vida ficou lotado para a palestra promovida pela Assistência Social.
Foto: Portal Educadora
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O Centro Cultural Arte e Vida ficou lotado na noite desta quinta-feira, 11, para a palestra do escritor e empreendedor, Pedro Pimenta, de 34 anos, promovida pela Secretaria de Assistência Social. O palestrante é um exemplo de superação. Aos 18 anos, ele contraiu meningite bacteriana fulminante, teve os dois braços e as duas pernas amputados, pegou infecção hospitalar e, mesmo com apenas 1% de chance de sobreviver, superou a doença e reconstruiu sua vida, mas ele conta que precisou encontrar uma nova identidade. “Até os 18 anos eu tinha 1,80m de altura, eu gostava de sair com os amigos, tocar violão e praticar esportes, como jogar futebol ou tênis. Exatamente nesta data, 11 de setembro, há 16 anos, em 2009, tive uma meningite que quase custou minha vida e quase seis meses depois saí do hospital, com um preço muito caro, que foi a amputação das minhas pernas, na altura das coxas, e dos meus braços, um pouco acima dos cotovelos. Ali uma nova vida começou, marcada por desafios físicos, mas um grande desafio mental, de olhar no espelho e não se reconhecer e ter que se reconstruir. Eu reaprendi a gostar de mim mesmo. Você pode olhar para mim e ver que ainda tenho dificuldades em pisos irregulares ou descer e subir uma escada, mas o que está invisível, em muitas pessoas, é que a dificuldade emocional muitas vezes é maior do que a física, que está visível”, disse em entrevista para a Rádio Educadora.
Pedro não queria apenas voltar a caminhar, mas ser independente. “A cadeira de rodas é uma ferramenta essencial para tanta gente e também foi para mim, ela cumpriu a sua missão, mas eu ainda tinha a metade das minhas pernas até metade das coxas e eu conseguia mexê-las, então se eu pudesse dar 10 ou 20 passos, eu acreditava que conseguia ampliar isso para voltar a caminhar”, explicou.
Foi pesquisando na internet que ele conheceu Cameron Clapp, dos Estados Unidos, que teve duas pernas e um braço amputados após um acidente com um trem, e que se dedicava a ajudar pessoas amputadas a serem independentes. “Ele virou um pioneiro nas próteses e me mostrou que as limitações estavam mais na minha cabeça do que na realidade. É óbvio que a realidade impunha dificuldades, mas eu pegava isso e amplificava até um ponto que eu tornava impossível ao meu olhar, mas Cameron tirou essa palavra impossível da minha vida, me treinou, de amputado para amputado, me inspirou a abrir minha empresa baseada nisso. Eu pude trabalhar com ele na mesma empresa que nos reabilitou e o recebi em 2022 como padrinho do meu casamento. Cameron tirou as travas mentais que me limitavam e o corpo segue onde a mente aponta”, disse.
Hoje Pedro, além de ajudar pessoas que tiveram membros amputados, através da Da Vinci Clinic, que foi fundada por ele no Brasil, também conta a sua história de vida e superação em palestras e livros. “Já são treze anos me dedicando às palestras. Eu vim para Dois Vizinhos porque a primeira-dama, Cátia Bonin, viu minha palestra em Curitiba e queria trazer para cá. Então, enquanto minhas palestras estiverem impactando as pessoas, vou continuar fazendo porque no final da minha vida eu quero olhar para trás, não para pensar em quantas escadas eu subi ou desci e se foi difícil, eu penso em legado, em ter uma vida com um significado e eu sei que a minha palestra é uma ferramenta que traz uma nova perspectiva para muita gente”, destaca.
Pedro mudou sua vida quando percebeu que precisava mudar sua mente. “O Pedro antigo não existia mais, por mais que eu chorasse ou esperneasse. Por mais que eu estivesse numa situação triste por ter perdido braços e pernas, ao mesmo tempo, existia uma oportunidade, uma folha em branco, para construir uma nova história que pudesse impactar e inspirar os outros. A partir do momento que virei essa chave mentalmente, entendi do que eu era capaz, além de perceber que superar aquilo não dizia respeito somente a mim, mas à minha família que passou por tanta coisa difícil e comemorava cada vitória minha, mas isso se tornou algo enorme a partir do momento que tornei a minha história pública, veio o carinho das pessoas imediatamente, foi neste momento que eu entendi que não era somente sobre mim”, explicou.
Pedro contou como é sua rotina. “Eu mostro um pouco do meu dia a dia no Instagram por causa do feedback das pessoas. Sou 100% independente, vim até aqui sozinho, peguei meu avião, eu dirijo, eu consigo, por exemplo, viajar por 15 dias sem precisar que tenha alguém comigo ou algum equipamento além das minhas próteses. A minha vida é corrida, a Da Vinci Clinic está crescendo e são novas empresas nascendo a partir dela para que a gente possa democratizar as próteses, trazer outras marcas para o Brasil, já é um grupo que busca mudar a realidade de amputados. Eu acordo cedo, beijo minha esposa Marcela e meu filho Bernardo, que tem três meses, coloco as próteses e vou para as minhas batalhas como todos têm as suas batalhas”, finalizou.
Fonte: Portal Educadora