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Produtores de leite preparam protestos em virtude da queda de preços

Laticínios vêm pagando menos pelo litro de leite desde julho, com perspectiva de mais quedas até janeiro.

Produtores de leite preparam protestos em virtude da queda de preços
  • 01 de Outubro de 2025
  • Foto: Portal Educadora

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Depois de um primeiro semestre de 2025, em que o preço pago pelo leite ao produtor foi favorável, o segundo semestre vem apresentando quedas constantes nos valores, o que gera muitos desafios aos produtores. A baixa em julho não é comum, já que o preço costumava ficar melhor no inverno. A produtora Francine Carlon falou sobre os valores recebidos em entrevista ao Programa Sete e Meia. “Há muitos anos temos esse problema de altas e baixas no valor do litro do leite pago ao nosso agricultor. Este ano, em especial, tivemos uma queda de R$ 0,25 em fevereiro e depois voltou a subir, chegando a R$ 2,90 o litro do leite. Hoje, porém, já temos gente recebendo menos de R$ 2 e isso inviabiliza, porque temos um custo de produção grande, principalmente para quem tem compost barn ou free stall”, destacou.

O produtor Valmir Klanibing falou sobre a união dos produtores para buscar melhores preços. “O começo do nosso movimento foi com uma reunião na quinta-feira passada, 25. Na segunda, 29, a gente foi pra Beltrão, fez mais uma reunião lá com o pessoal aqui do Sudoeste e estamos montando nossa pauta para apresentar às autoridades e à sociedade. O que nos assusta é que a tendência é piorar. Então, a gente tem que fazer alguma coisa e convocamos nossos agricultores, nossos produtores de leite, pra que se engajem nessa campanha. Vamos brigar pelos nossos direitos pra que amanhã nós não tenhamos mais um monte de produtores desistindo da atividade”, destacou.

Ele ressaltou que não sabe quanto vai receber do laticínio. “Antes a gente conseguia negociar o preço do leite. Se eu não estava contente com o meu laticínio, eu negociava com outro. E outra coisa é que, antes, até o dia cinco de cada mês, a gente sabia quanto ia receber no dia 15. Hoje eles não passam mais pra nós. Aí, quando vem o pagamento, você se desespera com mais quedas e vai atrás do laticínio, a resposta que você tem é que pro próximo mês tem mais uma baixa. Nós não queremos ficar ricos com o leite, mas, pelo menos, se manter”, completa.

Silvio da Silva, presidente do Sindicato dos Trabalhadores da Agricultura Familiar (SINTRAF), destacou que muitos produtores têm procurado a entidade assustados com os preços. “A choradeira é geral, porque a queda de preços é inexplicável. Enquanto o produtor consegue manter os custos, vamos levando, mas a preocupação maior é que muitos investiram na propriedade, estão focados somente no leite e, com essa crise do jeito que está se desenhando, muitos não vão ter como cumprir seus compromissos com os financiamentos. Aí chega a parcela e o produtor acaba se endividando e não sai mais. Achamos por bem nos unir e começar antes que a corda arrebente para o lado do produtor. Queremos uma explicação e que seja feita alguma coisa para termos um preço justo para o produtor. Não queremos que o litro do leite vá para R$ 4 e depois o consumidor não consiga adquirir mais esse produto. Queremos o mínimo pra ter uma margem de lucro”, destacou.

Manifestações
Na próxima segunda-feira, 6, os representantes dos produtores vão participar da sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Dois Vizinhos pedindo apoio do Legislativo na busca por soluções para o problema. Uma grande manifestação está marcada para o dia 14 de outubro em São Jorge D’Oeste e deve reunir produtores de toda a região. “Esse protesto iniciou em um grupo de WhatsApp e foi tomando corpo. Nós não sabemos o real motivo da queda do valor do litro do leite e queremos que a sociedade enxergue que nós estamos precisando de ajuda e de apoio. Vai ser o dia D da gente mostrar nossa indignação. Nós estamos indignados com isso e queremos saber quem está ficando com o nosso lucro”, finalizou.

Fonte: Portal Educadora