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‘A Terra é Nossa’ será apresentado em Dois Vizinhos nesta sexta-feira

Longa-metragem foi produzido pelo duovizinhense Fábio Júnior Gaspar e conta com diversos atores do município.

‘A Terra é Nossa’ será apresentado em Dois Vizinhos nesta sexta-feira
  • 08 de Outubro de 2025
  • Foto: Assessoria

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Nesta sexta-feira, 10, às 20h, o Centro Cultural Arte e Vida de Dois Vizinhos será palco da estreia do filme ‘A Terra é Nossa’ que retrata a força e coragem dos colonos que protagonizaram a Revolta dos Posseiros, em 1957, no Sudoeste do Paraná. O filme foi produzido pela FaJuGas Filmes do duovizinhense Fábio Júnior Gaspar e conta com cerca de 70 pessoas envolvidas. O roteirista, diretor e produtor executivo participou do Educadora News nesta quarta-feira, 8, e falou sobre a obra. “É o primeiro longa-metragem de Dois Vizinhos e o primeiro do Brasil baseado na Revolta dos Posseiros. Por algum motivo, essa história ainda não foi contada por grandes produtoras. É complexo fazer uma produção cinematográfica, nós começamos em 2012 e partir de 2022 tomou corpo e conseguimos dar o andamento melhor com a graça e o presente das pessoas que vieram para o projeto”, lembrou Fábio.

A produção reconstrói os acontecimentos de uma das únicas revoltas camponesas em que os agricultores, unidos, venceram o Estado e os jagunços a serviço das companhias de terras. Além dessa exibição especial, o filme contará com diversas sessões na cidade (veja abaixo). Os ingressos podem ser adquiridos clicando aqui. O filme foi inspirado no livro Retorno 2, de Sittilo Voltolini, e no relato de Jácomo Trento, o “Porto Alegre” (em memória), uma das lideranças do movimento. “O Porto Alegre era a pessoa que ouvia as histórias quando vendia na região e levava para o Ivo Thomazoni que jogava no ar pelo rádio. Isso foi muito importante. A gente conseguiu apresentar para ele parte do filme, quando estava 60% pronto, mas, pelo contexto geral, ele teve muita coragem em toda essa revolta. Tivemos muitas pessoas importantes, que fizeram a diferença para a revolta acontecer, mas o Porto Alegre teve um grande destaque”, explicou o diretor.

A obra percorre desde as violências sofridas pelos colonos, casas queimadas, perseguições, perdas irreparáveis, até a força da coletividade que resistiu movida por fé, coragem e esperança. Personagens emblemáticos da repressão, como Chapéu Preto, Zé Capeta, Maringá e Pé de Chumbo, aparecem retratados com fidelidade histórica, mostrando as várias camadas de um conflito que moldou a identidade do Sudoeste. As cenas foram gravadas em toda a região. “Trabalhamos muito no Rancho Texas, em Chopinzinho, muitas cenas de época foram feitas lá, também filmamos em Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, São Jorge D’Oeste para buscar o contexto. Tem também gravações com agricultores locais no interior do nosso município para compor as cenas. Muitos nem sabiam que estavam sendo gravados, aí fizemos as imagens, mostramos e pedimos autorização para utilizar no filme”, completou.

Um cinema de resistência

Todos os atores gravaram de forma voluntária e a produção enfrentou várias dificuldades financeiras. “Os nossos atores deram o seu melhor, foi um espetáculo de atuação, muitos deles, inclusive, sem experiência e fizeram algo extraordinário. Com o orçamento que tínhamos, com o contexto geral, eles merecem o Oscar porque foram espetaculares. O começo foi na raça e quando precisamos de dinheiro fiz negócio de um terreno que eu tinha, consegui aportar e continuamos. Depois, recebemos uma doação do empresário Gilson Tedesco, que ajudou no projeto para tentar recursos públicos no Paraná. Nosso diretor de fotografia, André Machado, trabalhou quase que de forma gratuita. Agora, temos autorização da Ancine para captar até R$ 450 mil pelo Imposto de Renda de empresas do Lucro Real para finalização e distribuição. Ainda estamos com o projeto em análise na própria Ancine para poder distribuir para cinemas e isso também pode nos ajudar”, completou.

Futuro

A ideia é difundir a obra pelo Brasil. “Num primeiro momento, estamos fechando com cidades do Sudoeste para apresentar o filme. A gente ainda quer fazer algumas melhorias conforme o orçamento for vindo das bilheterias, se for necessário regravar alguma cena sempre pensando em melhorar. Se as pessoas acharem que a gente fez um bom trabalho, tentar levar para o Paraná e para o Brasil para que as pessoas conheçam a nossa história. Temos tantos estudiosos, o Ivo Pegoraro, o Sittilo Voltolini, que tem livros sobre a Revolta, trabalhar esse projeto em nível nacional para que as pessoas vejam a nossa região com outros olhos. Que aqui no Sudoeste as pessoas tiveram coragem para enfrentar o poder constituído para ter o seu direito, o seu canto de terra que era garantido pelas próprias leis e o Governo Federal”, conclui Fábio.

Agenda de exibições em Dois Vizinhos

10 de outubro – 20h – Premiere no Centro Cultural Arte e Vida – R$ 12

1º de novembro – sessões às 14h, 16h, 18h, 20h e 22h – R$ 14

2 de novembro – sessões às 14h, 16h, 18h e 20h – R$ 15

17 de novembro – sessões às 19h e 21h – R$ 15

18 de novembro – sessões às 19h e 21h – R$ 15

Fonte: Portal Educadora com Assessoria da Prefeitura