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Mulheres no comando: o desafio do trabalho na CasaCor Tintas

Depois do falecimento de Marcel Favin, a esposa, Luciane, com as filhas Maria Luiza e Giovana, assumiu o comando da empresa em um ramo ainda majoritariamente masculino.

Mulheres no comando: o desafio do trabalho na CasaCor Tintas
  • 18 de Dezembro de 2025
  • Foto: Arquivo Pessoal

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O falecimento de Marcel Favin, em junho de 2024, gerou muitos desafios para a esposa, Luciane Marchese Favin, e as filhas, Maria Luiza e Giovana, que precisaram seguir com o negócio da família, a CasaCor Tintas. O setor ainda é predominantemente masculino, o que gerou dificuldades no início e chegou a fazer com que as filhas repensassem a continuidade da empresa. Com o passar do tempo, no entanto, o negócio voltou a crescer. “Foi um desafio grande, principalmente pelo fato de sermos mulheres. Eu já estava havia bastante tempo na loja, conhecia o processo, mas o Marcel sempre foi o melhor vendedor, muito bem relacionado com amigos e parceiros, com grande facilidade de comunicação, enquanto eu era a parte técnica. Sempre digo que Deus nos aproxima de pessoas boas. Tenho funcionários muito bons, que me ajudam, colaboram, estão presentes e fizeram toda a diferença na nossa vida. Por mais que eu tentasse, se não tivesse essa equipe, não chegaríamos a lugar nenhum. No momento da maior dificuldade, da doença e da partida do Marcel, nos aproximamos de muitas pessoas boas. Ainda hoje, não sou reconhecida como a Luciane da CasaCor, mas como a esposa do Marcel. Ficou o legado, o carinho das pessoas, e isso vai permanecer para sempre”, lembrou Luciane, em entrevista ao Programa Sete e Meia.

Ela exaltou a força e a parceria das filhas. “A Maria Luiza é mais comunicativa, a Giovana é mais retraída, e cada uma tem suas qualidades. Diante do desafio que passamos, a Maria sempre dizia para levantar a cabeça, porque não havíamos feito nada de errado e que íamos dar a volta por cima. Ela sempre nos deu muita coragem. A Giovana é mais retraída, não fala muito sobre o assunto, mas tem perfil administrativo: faz o lançamento de notas fiscais, controla estoque e custos. A comparação com o Marcel é inevitável e sempre vai existir, mas, para mim, isso mostra que o trabalho dele foi muito bem feito. Sou muito grata a todas as pessoas que nos apoiaram nos momentos mais difíceis e a cada cliente que entrou na loja trazendo energia positiva, coragem, ânimo e confiança, dizendo que iríamos conseguir. Passamos pela fase mais difícil, a loja está com outra cara, mostramos que temos capacidade e conseguimos entregar um produto de alta qualidade e valor agregado”, completou.

Maria Luiza Favin relembrou sua história na loja. “Eu tinha 12 ou 13 anos e fui tentando agregar. O pai não queria muito, era superprotetor, mas a mãe incentivava, porque o meio comercial nos desenvolve como pessoa. O pai sempre foi muito comunicativo, com muitos amigos, e a mãe é mais reservada. Dá um orgulho imenso ser filha dele, ter convivido esses anos com eles. É uma luta diária. Percebemos, no dia a dia, a falta que ele faz, seja para tirar dúvidas ou como colo de pai. Mas nos reinventamos, crescemos, melhoramos e nos desafiamos para provar para nós mesmas que conseguimos dar um jeito. Contamos muito com o pessoal da loja, com o Luiz, nosso gerente, que ajuda muito, e com os outros funcionários também. Hoje somos nove funcionários homens, porque é um ramo muito masculino. Tirando eu, a mãe e a Giovana, muita gente dizia que a gente tinha que fechar a loja. Foi complicado, mas, graças a Deus, nos reinventamos, crescemos e seguimos”, disse.

Ela também falou sobre como foi lidar com a perda do pai. “Ele faz uma falta indescritível, principalmente na idade em que estávamos. A mãe sempre dizia que precisávamos estar preparadas para os problemas, mas não imaginávamos que eles viriam tão cedo. Eu comentava com meus colegas de aula o quanto isso me transformou. Amadureci na marra. Fiquei muito tempo sozinha na loja, porque meus pais estavam em hospitais. Foram sete cirurgias em dez meses. Foi desafiador, aprendi no susto, mas isso me transformou e hoje percebo os benefícios. Só quem vive sabe as dificuldades de conviver com alguém com câncer. Você acorda sem saber como a pessoa vai estar; todo dia é uma novidade, algo diferente. É avassalador. De um dia para o outro, você perde a pessoa. O luto, quando há alguém com câncer na família, não começa quando a pessoa morre, mas durante o tratamento, porque vemos a pessoa indo embora aos poucos. O pai, na semana do falecimento, já não era mais o meu pai. Ele deixou de existir no dia do diagnóstico”, lamentou.

Ela também falou sobre o futuro. “Com o apoio da mãe e de todos, vamos crescer e nos reinventar. Quero agradecer aos colaboradores e aos pintores que estão sempre com a gente. Seguimos para atender a todos da melhor maneira possível, entregando sempre qualidade, nos reinventando e mostrando que conseguimos, independentemente da idade e da situação”.

A CasaCor Tintas

Luciane também falou sobre a história da empresa. “Começamos em 2004, quando adquirimos a Picolotto Tintas. Iniciamos o negócio enquanto eu ainda trabalhava em um escritório de contabilidade, onde permaneci por um tempo, porque a loja ainda não sustentava nossa casa. No início, não conseguíamos entregar tintas no mesmo dia. Percebemos que isso era necessário e fomos atrás da Coral, que era referência no Rio Grande do Sul. Adquirimos um equipamento e começamos a fazer a tinta na hora, em 2005. Atualmente, temos um estoque grande, atendemos toda a região e adquirimos um novo equipamento de sistema tintométrico para a linha automotiva, além de máquinas agrícolas, tratores, colheitadeiras e caminhões. Hoje, com o novo sistema, conseguimos produzir na hora todas as cores do catálogo, de todas as marcas. Todo tipo de tinta de que o cliente precisa pode ser feito na hora. Somos representantes da Tinta Coral, compramos direto da indústria e oferecemos uma qualidade indiscutível. Temos tintas com antifungo, antibactérias e antimofo, atendendo a diversas demandas do mercado”, concluiu.

Fonte: Portal Educadora