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Frei Diones Paganotto fará ainda duas celebrações na Imaculada Conceição

Secretário geral da Ordem dos Agostinianos Descalços, em Roma, está passando férias em Dois Vizinhos.

Frei Diones Paganotto fará ainda duas celebrações na Imaculada Conceição
  • 02 de Janeiro de 2026
  • Foto: Portal Educadora

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O frei duovizinhense Diones Paganotto que é secretário geral da Ordem dos Agostinianos Descalços em Roma está passando férias no município e participou do Educadora News da última quarta-feira, 31 de dezembro de 2025. Na ocasião, o religioso falou sobre diversos assuntos, entre eles, a escola do cardeal norte-americano Robert Prevost como o 267º Bispo de Roma. O papa, que também é naturalizado peruano, escolheu o nome de Leão XIV e é o primeiro Agostiniano no cargo. Confira a entrevista:

Educadora News – O ano foi bastante movimentado para vocês em Roma, com a passagem do Papa Francisco e escolha do Papa Leão XIV, que é da sua ordem, então gostaria que o senhor fizesse uma retrospectiva do que aconteceu em 2025.

Frei Diones – O ano de 2025 foi desafiador e, ao mesmo tempo, histórico para nós como Igreja. Muito por causa do jubileu da esperança que o Papa Francisco tinha instituído e iniciado com a abertura das portas santas das quatro grandes basílicas de Roma e, na metade do jubileu, com o papa hospitalizado, não conseguindo participar das tantas celebrações que gostaria, ele acabou falecendo e aí juntou aquela enorme quantidade de pessoas que vinham para o jubileu, tínhamos eventos especiais quase todo final de semana, somando-se ao conclave com muitos órgãos de empresa que montaram quarteis generais ao redor do Vaticano e, quando começaram as eleições, a praça estava sempre cheia de gente. Aí, em seguida, somou-se a isso a vinda de chefes de estado com a missa de início de pontificado e o Papa Leão XIV e, após isso, deu continuidade ao jubileu e, nos primeiros meses, dar a sua característica como pastor universal da Igreja.

Educadora News – Vocês esperavam a escolha do cardeal Prevost ou alguém da ordem Agostiniana no conclave?

Frei Diones - Tem um ditado italiano que diz que o cardeal que entra quase como papa em um conclave, vai sair como cardeal. Tínhamos os favoritos, os papáveis, as casas de aposta fazia muitas previsões e nós, no nosso diálogo, havíamos comentado sobre o Prevost que é uma pessoa muito equilibrada, com experiência, sempre se falava muito bem dele, das suas qualidades e aquele olhar de pai, de preocupação, que as pessoas começaram a conhecer, a gente já sabia de antes. Óbvio que hipóteses sempre temos, mas quando anunciaram o nome dele foi uma grande surpresa, alegria e, agora, uma responsabilidade. A família Agostiniana tem várias ordens que a formam e nós, que já conhecíamos ele antes da eleição, temos boa relação. Até quando ele foi nomeado cardeal, dois anos antes, tivemos celebração, almoço, recepção e após a eleição dele óbvio que as pessoas já pediam e quando íamos encontrar ele em Roma, mas não é bem assim, o Papa é um chefe de estado, tínhamos a questão do jubileu e conseguimos participar de uma catequese, um diálogo de poucos minutos, mas muito breve com o Papa Leão XIV. Não vamos ter as portas abertas como se fossemos a família religiosa privilegiada. O Papa é o pastor universal da igreja e a igreja vem em primeiro lugar. Se ocorrerem possibilidades e momentos, como esse que aconteceu, para nós vai ser uma grande alegria.

Educadora News – Para o senhor o ano de 2025 também é especial por completar 15 anos de ordenação. Como é a sua história?

Frei Diones – Quando cheguei em Dois Vizinhos, celebrei, na Imaculada, os 15 anos de ordenação. Fui ordenado dia 18 de dezembro de 2010 aqui na Imaculada, depois disso fui vigário paroquial alguns anos no Sul de São Paulo, atuei como professor desde o início, ajudei movimentos como equipes de Nossa Senhora, cursilhos, muitos eventos e fui também pároco durante quatro anos em Canitar (SP). Nesse intervalo, também iniciei um mestrado em São Paulo (SP) e, após isso, ganhei uma bolsa integral para um doutorado em Teologia Bíblica em Belo Horizonte (MG). Por causa do doutorado, eu fui para a Itália e para o Canadá para pesquisas e alguns cursos e, quando estava concluindo meu doutorado, fui eleito para ser membro da cúria geral da minha ordem para um período de seis anos em Roma. Dois anos atrás tivemos nosso capítulo geral nas Filipinas e fui reeleito para mais seis anos, ou seja, desses 15 anos, foram sete no Brasil e oito na Itália. Agora, não estou mais numa paróquia, mas a serviço da minha ordem, um trabalho mais interno, burocrático, de comunicações, documentos, arquivos, visitas pastorais e canônicas, novos desafios, não só numa localidade, mas no mundo todo.

Educadora News – Como é o seu trabalho na ordem dos Agostinianos?

Frei Diones - Uma ordem religiosa pode ser imaginada como uma empresa. Nós seríamos o CNPJ matriz, no topo da pirâmide. Então, as decisões mais importantes passam por ali, desde questões boas até as mais complexas. Desde aberturas missionárias, aprovações de projetos, aplicação de leis porque muitas vezes acontecem questões ligadas ao não cumprimento de certas leis canônicas, a relação com outras ordens religiosas, trabalhos com o Vaticano, formações, responsabilidade das vocações, dos estudos, muito trabalho, mas, muitas vezes, mais burocráticos do que pastoral. Agora eu comecei, junto com o superior geral, fazer as visitas na Itália. Em 2026 continuaremos na Itália, na África e na América Latina e em 2027 na Ásia. Serão meses e meses viajando para estar nas comunidades e missões que temos.

Educadora News – Gostaria que o senhor deixasse uma mensagem pelo Natal que nós passamos e para o Ano Novo.

Frei Diones - Eu tive a graça de poder celebrar e participar do Natal não só no Brasil, mas em outros países e continentes. O que percebemos é que, realmente, é um período de esperança, mas que, infelizmente, com o passar do tempo, corre-se o risco de se reduzir o Natal a uma ceia ou troca de presentes. Na Europa, sobretudo, é normal ver a árvore de Natal e não mais o presépio. Aí você questiona: o Natal é o nascimento de Jesus para todos ou o momento de troca de presentes? No Brasil temos a questão religiosa muito forte, vemos o presépio nas lojas, vitrines, famílias que visitamos, mas, sobretudo, graças a Deus, as pessoas ainda tem aquela ideia de participar da celebração e depois fazer a ceia. Eu celebrei, no dia 24 à noite, no bairro Nossa Senhora Aparecida, e eu procurava meditar sobre isso que Deus se fez tão pequeno para que a gente e pudesse crescer junto e o Natal é o momento onde nós nos fazendo pequenos, somos convidados a deixar de lado, um pouco, aquilo que aconteceu. O ano de 2025 foi bom para alguns, menos bom para outros, mas ficou e eu quero olhar para frente com esperança. O jubileu que está sendo concluído, com o fechamento de todas as portas santas, tinha o título de Peregrinos da esperança. Aquilo que o Papa Francisco, olhando para a Igreja no mundo todo, percebeu, era a falta de esperança em tantas realidades. Obviamente acontecem problemas, tragédias, dificuldades que fazem com que a gente diminua a esperança, porém, o Natal é um momento tão simples, tão pequeno e ao mesmo tempo tão grandioso que nos convida a olhar para frente com esperança. No Ano Novo, não devemos fazer somente os votos, usar roupa branca, amarela ou jogar na mega sena. A esperança é dizer eu quero fazer algo melhor, eu quero deixar, para as pessoas que amo, algo melhor, eu quero fazer a diferença na minha vida e na vida das pessoas, isso é ter esperança.

Educadora News – O senhor ainda tem celebrações em Dois Vizinhos?

Frei Diones - Eu agora, nos próximos dias, estarei fora com a família e compromissos com a ordem em Toledo e tenho duas celebrações na Imaculada: dias 11 e 14 de janeiro. Até pegando esse momento da troca do pároco na Imaculada, com o Pe. Dilonei concluindo sua missão, o Pe. Vagner chegando, eu vou dar uma mão nesses dois dias.

Fonte: Portal Educadora