Empresário Ademir Ambrosi Júnior destacou que luta pela liberação do tráfego desse tipo de veículo é uma luta pelo desenvolvimento.
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Na última semana, a Rádio Educadora FM recebeu, no Programa Sete e Meia, o empresário Ademir Ambrosi Júnior, da Rações Quality, e Volmir Sarturi, presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas do Vale do Iguaçu (Sindivale) para falar sobre a liberação dos caminhões nove eixos, ou rodo trens, em estradas da região Sudoeste. Atualmente, a Portaria 172/2025 do Departamento de Estradas e Rodagem (DER-PR), não permite o tráfego como as PRs 180 (Contorno Norte de Francisco Beltrão), PR-281 (Dois Vizinhos – Realeza) e PR-281 (Dois Vizinhos – São Jorge D’Oeste – São João – Chopinzinho).
O empresário destacou que conta com esse tipo de veículo há seis anos. “Esse tipo de caminhão dá uma melhor eficiência ao nosso trabalho, porque ele consegue puxar 11 toneladas a mais, por isso, eles são necessários para impulsionar o crescimento da região. Antigamente, a gente produzia 200 sacos de milho e hoje tem gente colhendo de 500 o alqueire. Então, a rodovia não evoluiu junto com a produção e quem paga a conta é o empresário. A gente bateu em tanta porta, mas só vou desistir quando morrer porque isso vai ser muito importante para o Sudoeste. As autoridades vestiram a camisa, visitamos o DER mostrando que não podemos travar a produção e a logística desse Estado que é o supermercado do mundo. Não podemos frear o desenvolvimento por causa de dois eixos”, resumiu Júnior.
Rodar com esse tipo de veículo é uma necessidade e está gerando prejuízos com autuações. “Se tiver qualquer carro do DER na rodovia e ver nossos caminhões trafegando ele pode dar R$ 4, R$ 5 mil de multa. Já pagamos um valor absurdo, chegou a R$ 173 mil em multas. Levamos para o DER e eles pediram para os empresários o projeto de ampliação de rodovia, aí eu falei, se trouxermos o projeto pronto, você libera os nove eixos? Não nos responderam. Todos estão buscando a ampliação. A Piracanjuba tem um investimento que vai passar de R$ 1 bilhão e eles estão tendo dificuldades de logística para trazer equipamentos que só conseguem vir para cá com os nove eixos. Sabe como eles estão andando? Tipo nós, tipo bandido, escondido. Tivemos diversas reuniões, só não falamos com o governador Ratinho Júnior ainda, mas estamos tentando comover ele”, lamentou.
Volmar falou sobre a luta pela liberação dos rodo trens. “Eu, como empresário, comecei com uma carreta, fui para bi-trem e sempre temos a necessidade de ir aumentando. Há mais de 15 anos os nove eixos já rodam na região e eles surgiram de uma necessidade de dar mais eficiência do transporte. A produção cresceu, o Brasil cresceu e os transportadores tem que acompanhar. Eu ainda tenho os sete eixos, mas precisamos liberar os nove eixos porque isso é questão de economia porque se você pegar um bi-trem e o nove eixos, o peso por eixo, é o mesmo e, hoje, o que eu levo com três de nove eixos eu preciso de quatro bi-trens, então, na minha visão, com a liberação você tira um caminhão e isso é um problema a menos. Temos empresas grandes aqui e pense que, se um caminhão de nove eixos carrega em Sinop (MT) para a BRF de Dois Vizinhos, ele só pode chegar até Realeza porque ele não tem essa licença, não tem estrada para chegar aqui. Não vamos parar, vamos até o fim, precisamos dessa liberação. Um detalhe é no Mato Grosso e você não vê caminhão que não é nove eixo. Sem contar que hoje é economicamente inviável eu mandar um sete eixos para o Mato Grosso. É uma necessidade. Como temos a necessidade de levantar, escovar os dentes e trabalhar”, completou.
Caminhoneiro é tratado como bandido
Júnior ressaltou que os transportadores estão sendo tratados como criminosos. “Eu sei porque às vezes eu estou estressado, pego o caminhão, vou fazer uma viagem e, muitas vezes, somos repreendidos pelo pessoal do DER. Se a gente está trabalhando é para movimentar o Sudoeste e o Paraná. Nosso governador faz um grande trabalho, fala em celeiro do mundo, mas precisa nos ajudar. Hoje, um caminhão gasta cerca de R$ 6 mil e para encher o tanque, aí temos toda a cadeia com o borracheiro, mecânico, o cara que lava o caminhão, o posto, uma gama enorme de pessoas. As empresas, temos empresas grandes aqui, teriam que abraçar essa causa. O empresário não pode mais ser tratado como bandidos”, conclui.
O que diz o DER?
Volmir destaca que o DER trata a situação de infraestrutura como problema para liberação dos rodo trens. “O DER diz que as estradas não suportam, que são antigas, mas os nove eixos estão trafegando normal. Estamos trabalhando há muito tempo com eles e não caiu ponte, não aumentou o número de acidentes. O Governo do Paraná exige bastante coisa, a gente se adequou, mas a gente não consegue trabalhar. A gente fez um estudo sobre as rodovias da região e é mito falar que vai acabar com as estradas. O nove eixos não muda nada. Os caminhões são praticamente todos novos e isso evita muitos problemas. Eles alegaram que o pavimento é antigo e não comporta. Se pegar de DV a Beltrão, depois de 30 anos, vão arrumar a estrada e aí eles falam que vão autorizar. O que pleiteamos é de Realeza até Chopinzinho. No total dela, 90% é boa a rodagem dela. Eles alegam que o pavimento não sustenta, mas é conversa, balela. A produção mais que triplicou na região e as estradas continuam antigas. O DER não tem argumento para falar. As pontes, inclusive, foram todas reformadas. Não queremos nada, queremos trabalhar”, conclui.
Fonte: Portal Educadora