Presidente da União Paranaense de Produtores de Leite (UPPL) destaca que os produtores estão deixando o campo.
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Na última terça-feira, 24, o presidente da União Paranaense de Produtores de Leite (UPPL), Meysson Vetorello, participou do Programa Sete e Meia da Rádio Educadora FM. Ele falou sobre a situação preocupante do setor já que os produtores estão trabalhando, há cerca de nove meses, no prejuízo. “Que empresa aguenta trabalhar tanto tempo no prejuízo? É muito difícil. Poucos estão aguentando. No Sudoeste, acredito que cerca de 40% já deixaram ou estão pensando em deixar a atividade e esse produtor nunca mais volta porque ele sabe das dificuldades. Como vamos ter sucessão nessa cadeia onde o pai chega em casa e não tem dinheiro para pagar as contas? Temos pequenos produtores chegando ao ponto de ter que escolher se compra comida para a família ou ração para as vacas”, disse.
A União Paranaense de Produtores de Leite (UPPL) foi criada durante o Show Rural da Coopavel com o objetivo de buscar melhores condições de trabalho e melhor rendimento aos produtores. Atualmente, de acordo com o presidente, o custo de produção fica em torno de R$ 2,20 e R$ 2,40 por litro, mas tem produtor recebendo R$ 1,60. “O produtor de leite não sabe o preço que vende, não tem um preço base para fazer o custo de produção e, quando ele recebe a nota, não tem para quem reclamar. Eles fazem o que querem com o produtor. Eu fui puxando uma frente com outras pessoas, buscando essa união, para dar um basta, tentar mudar essa forma. A Conab fala que o custo é R$ 1,88, mas como assim? Que custo é esse? Só se não contarmos a mão de obra, de custo de hora máquina, da silagem e outras coisas que encarecem muito, então, é um custo falso”, lamenta.
O produtor destacou que a lei que proíbe a reidratação de leite em pó, aprovada recentemente na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep), é positiva, entretanto, não é fiscalizada. “Até agora essa lei não mexeu em nada nas importações. Tenho planilhas que comprovam que em 2025, na comparação com 2024, tivemos 200% mais importação até dezembro. O leite, o queijo e o soro em pó. O que foi feito até agora? Nada. Cadê a fiscalização das fronteiras pelo Ministério ou pela Adapar? Eu vi prender várias coisas, mas não vi prender leite. Tudo que chega, entra com nota e até a Secretaria da Fazenda pode fiscalizar”, completou.
Conversa com o governador..
Vetorello ressaltou que o grupo recebe muito apoio, mas ainda não conseguiu ter reunião com o governador Ratinho Júnior. “Para receber a Piracanjuba que, graças a Deus, é uma empresa grande que veio para a região, ele recebeu várias vezes em Curitiba. Por que não recebe o produtor? Estamos há nove meses tentando marcar uma reunião com ele e nada. Ele não tem tempo para nos receber. Somos mais de 100 mil produtores no Paraná e quantos empregos diretos e indiretos a nossa cadeia gera? O faturamento é de R$ 5 bilhões por ano e envolve muitos municípios. Eu tenho certeza que se ele receber a UPPL nós vamos achar a solução para o problema”, conclui.
Fonte: Portal Educadora