Empreendedores buscam a licença prévia para poder iniciar a obra. Durante o andamento, a expectativa é a geração de 300 empregos diretos.
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Na noite de terça-feira, 17, na Câmara de Dois Vizinhos, aconteceu a audiência pública da PCH Paranhos Montante. Caso aprovado, o empreendimento será edificado no Rio Chopim e vai afetar 13 propriedades rurais em Dois Vizinhos e 19 em São Jorge D’Oeste. Durante a reunião, proprietários dos terrenos e toda a sociedade puderam tirar dúvidas referentes ao processo de instalação da usina. Essa é mais uma etapa essencial para a liberação da licença prévia que autoriza o início da obra. Nesta quarta-feira, 18, a mesma audiência pública acontece em São Jorge D’Oeste, às 19h, na Câmara de Vereadores.
A reunião começou com a fala de representantes do Instituto Água e Terra (IAT) que apresentaram o Estudo de Impacto Ambiental (EIA) e Relatório de Impacto Ambiental (RIMA). Os representantes do órgão estadual também falaram sobre os trâmites que deverão ser seguidos daqui até o início da obra. Em seguida, as autoridades presentes compuseram uma mesa de honra, entre elas, o vice-prefeito Nery Maria, o secretário de Meio Ambiente, Neri Machado, e o secretário de agricultura, Irival ‘Kike’ Didomenico.
Nery Maria exaltou a possibilidade de o município receber a usina. “Essa audiência precisa acontecer para que tenhamos esse investimento. Eu vejo a importância de uma usina num município e lembro que, antigamente, se alagava mais. Hoje, não. Eles estão usando o mínimo possível de alagamento. Vejo proprietários que vão ser atingidos bastante apreensivos, mas tenho certeza que todos vão conseguir tirar suas dúvidas. Se der tudo certo, tenho certeza que essa é uma empresa séria, idônea, que já tem outras usinas no Rio Chopim e, em nome do prefeito Carlinhos Turatto, quero saudar a todos que vieram aqui para mostrar a realidade de como será esse empreendimento”, destacou.
A usina
O sócio Marcos Della Justina representou o empreendimento e detalhou o projeto. “Esse é um momento muito importante para nós e para toda a comunidade. Nós queremos investir aqui e é importante vocês entenderem o projeto para tirar todas as dúvidas. Nesse empreendimento, a casa de força fica no município de Dois Vizinhos, em uma usina de 21 megawatts com lâmina d’agua de 302 hectares e a inundação de 96 hectares. A calha do rio é grande, vamos sair da calha somente 96 hectares e esse é um ganho enorme em relação a projetos anteriores. Toda a energia produzida será injetada no sistema nacional”, disse o empreendedor.
Ele falou sobre os ganhos com a obra. “A usina traz questão econômica e social para a região. Essa usina vai gerar 300 empregos diretos e uma movimentação no comércio regional, sejam hotéis, restaurantes, barzinhos, oficinas mecânicas, postos de combustíveis, entre outros. Mesmo depois, quando estiver em operação, vem gente de fora para manutenção, acompanhamentos, sempre há movimentação. Também gera arrecadação aos cofres públicos, numa estimativa que vai gerar, na construção, cerca de R$ 11 milhões de impostos federais, R$ 9 milhões em tributos estaduais e R$ 2,7 milhões municipais. Na etapa de operação, segue gerando arrecadação estadual e federal e, para o município, temos o ISS que é difícil estimar, mas ajuda diretamente no índice de participação do município, recebe mais no bolo do Estado. Em um cálculo prévio, incrementa cerca de 3,77% no Índice de Participação do Município”, completou.
Em seguida foi apresentada toda a parte ambiental e os participantes puderam fazer perguntas. Vanderlei Ferreira de Araújo, um dos coordenadores do estudo da PCH Paranhos Montante, falou sobre a audiência. “Nesse momento, além dos proprietários, a comunidade de Dois Vizinhos participa para um pouco mais sobre a PCH Paranhos Montante, desde o projeto, a parte ambiental, tudo que envolve a usina foi apresentado, resumidamente, aqui. Vale ressaltar que as pessoas tem acesso a esses documentos aqui, pelo site do IAT e também no site da Rio Chopim Energia”, explicou.
Vanderlei falou sobre a usina. “Será uma obra fio d’água onde toda a água que chega na turbina, sai. O tempo de residência da água dentro do reservatório é de aproximadamente 13 horas e, como impacto, a gente vai suprimir aproximadamente 40 hectares e, em contrapartida, vamos fazer, aproximadamente, 249 hectares de Área de Preservação Permanente (APP) abrangendo 100 metros do entorno de todo o reservatório. Além disso tem uma área de compensação que segue a instrução normativa 2005 do IAT”, completou.
Próximos passos?
Depois da audiência, será solicitada a licença prévia para a construção da usina. “Em seguida, entramos com os documentos para solicitar a licença de instalação. Finalizando isso, são emitidos os documentos para poder operar a hidrelétrica. Não podemos precisar sobre o início da obra que depende das audiências públicas, se vamos atender todas as condicionantes e o IAT vai atender nossa solicitação através do projeto que será analisado pelos técnicos”, conclui Vanderlei.
Fonte: Portal Educadora