• Dois Vizinhos - Paraná - Brasil

com

AO VIVO
Geral

Família Gaio, de São Jorge D’Oeste, faz sucesso mostrando o dia a dia da propriedade rural

Carlos César Gaio criou o canal por acaso e hoje já soma mais de 500 mil inscritos e 250 milhões de visualizações no YouTube.

Família Gaio, de São Jorge D’Oeste, faz sucesso mostrando o dia a dia da propriedade rural
  • 07 de Maio de 2026
  • Foto: Arquivo Pessoal

  • 727

O produtor rural Carlos César Gaio, de São Jorge D’Oeste, participou do Programa Sete e Meia nesta quinta-feira, 7, para falar sobre sua trajetória e o crescimento do canal no YouTube que conta, atualmente, com 509 mil inscritos e mais de 250 milhões de visualizações. O objetivo sempre foi mostrar o dia a dia da propriedade sem filtros. “Eu não tenho um personagem, não fico pensando no que vou gravar hoje ou amanhã. A minha câmera tá sempre no meu bolso e é o que eu vou fazendo no dia. Tem dias que eu não gravo nada, tem dias que dá dois, três vídeos diferentes. É o que está acontecendo na minha propriedade, a minha rotina lá. Sem história, sem firula, sem inventar”, resumiu Carlos.

Carlos começou a fazer vídeos para tirar dúvidas sobre uma variedade de capim. “Eu tinha umas vacas de leite, era recém-casado e essa produção de leite é uma atividade difícil de sobreviver nela. Eu estava estruturando o ganho para a minha família e sempre pensando em como melhorar. Aí eu descobri um capim, o tal de BRS Capiaçu. Ele não estava disponível para o público naquela época ainda, era multiplicado nos viveiros credenciados. Eu tive a oportunidade, com um amigo meu, o Rafael, da Agroleite de São Jorge, de ir no Show Rural da Coopavel e cheguei lá com a lição de casa feita: já tinha pesquisado e fui direto no estande da Embrapa conversar com o pessoal sobre o capim”, explicou.

Ele conta que, após conhecer um dos pesquisadores responsáveis pelo desenvolvimento da planta, passou a trocar informações em grupos de WhatsApp, especialmente com produtores do Nordeste. “Para nós, o capim-elefante é comum, mas para eles era novidade. O pessoal começou a direcionar perguntas para mim e eu mandava uns vídeos auxiliando no jeito de plantar, nas mudas, coisas simples. Naquele tempo, o WhatsApp começou a cortar o tamanho dos vídeos que a gente podia mandar. Aí surgiu o YouTube: eu subia o vídeo e mandava o link para o pessoal”, relembrou.

Quando começou, Carlos sequer tinha internet em casa. “Nunca pensei em ganhar dinheiro ou visibilidade com isso. Foi para ajudar o pessoal do grupo de WhatsApp. Assim foi indo, bati os mil inscritos, as 4 mil horas de visualização e monetizei o canal. Nesse meio tempo, coloquei internet na propriedade. Foi necessário instalar uma torre, uma confusão, para 1 MB de velocidade, uma tristeza, mas conseguimos colocar e facilitou um pouco. Aí pensei em fazer com que o canal pagasse a mensalidade da internet”, completou.

Rotina

Atualmente, Carlos publica vídeos todos os dias. “Ontem saiu o episódio 1.941 dos meus vídeos e já são mais de cinco anos com vídeos diários. Hoje eu tenho 26 vídeos gravados na fila para sair. No começo, eu tinha dificuldade de fazer um vídeo por semana. Eu não sabia nada, não tinha noção de edição, de fazer capa, editar foto. Aprendi sofrendo, fazendo errado, procurando outros vídeos. Quando eu me aperto, vou lá e pesquiso na própria internet e vejo como faz”, contou.

Segundo ele, a inclusão da família nos vídeos foi uma mudança importante para o crescimento do canal. “Quando eu mudei o nome do canal de Carlos César Gaio para Família Gaio, que a Ju e as piazada começaram a aparecer, elevou o nível. Mostramos nosso dia a dia, a rotina com as máquinas, fazendo salame, sabão, plantando mandioca e tudo mais. Nada é ensaiado. Meu conteúdo é basicamente meu trabalho na propriedade”, destacou.

Sem ligar para os comentários negativos

Carlos ressalta que não se preocupa com críticas nas redes sociais. “Eu não consigo ficar respondendo esse pessoal que fica me puxando a orelha, até porque também não consigo responder as pessoas que estão gostando. Ah, por que não tô usando uma luva para fazer alguma coisa? Na roça já chegou o sabão e a água para lavar as mãos. Não precisa de luva pra preparar alimento para minha família. Temos que valorizar quem gosta, que é 98,9%, e eu gravo pra eles”, afirmou.

O produtor também destacou o carinho recebido do público nos eventos que participa. “Uma coisa escrita não transmite emoção. Tô ficando muito contente em ouvir e conversar com as pessoas. Tem uma mulher lá em Goiás que começou a fazer cuca depois de assistir um vídeo da Ju. Hoje ela abriu um negócio vendendo cuca com base na receita da Ju. Só aquilo ali já valeu a pena”, comentou.

Fonte de renda

Lembrando sua história, Carlos destacou que o YouTube surgiu da necessidade de melhorar a renda da família e acabou se tornando uma nova fonte de receita. “Eu vou seguir mostrando minha rotina enquanto conseguir fazer isso e enquanto for uma coisa que traz algo para dentro da propriedade. O YouTube surgiu por acaso e acabou nutrindo uma necessidade. No fim, acabei trazendo a solução para o problema, mas de uma forma bastante diferente”, ressaltou.

Faz-tudo

Muitos seguidores brincam pelo fato de Carlos entender de mecânica, construção civil e atividades rurais. Segundo ele, isso surgiu por necessidade. “Eu brinco que sou pobre e a gente tem que fazer as coisas por necessidade. A minha família sempre entregou tudo do básico, então a gente se obrigou a aprender. Por isso a gente constrói, planta, colhe e faz de tudo. Eu aprendi fazendo, por necessidade, pra ganhar um dinheiro ajudando os vizinhos também”, explicou.

Ao final, ele reforçou quais são suas prioridades. “Se for me classificar, eu não me classifico por número de seguidor. A primeira coisa é pai, marido, o homem da casa. Eu sou uma pessoa rural, do interior, do campo, e depois vem a internet. A prioridade sempre é a família, depois a propriedade e depois o Carlos da internet”, concluiu.

Fonte: Portal Educadora