A professora da Unisep Camila Trenkel falou sobre a doença em participação no Programa Sete e Meia.
Foto: Portal Educadora
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O hantavírus voltou ao centro das atenções mundiais em 2026 após um surto registrado no navio de cruzeiro MV Hondius, que passou pela América do Sul e resultou em mortes e casos monitorados em diversos países. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou as infecções ligadas à variante Andes, considerada a única com potencial de transmissão entre pessoas em situações muito específicas de contato próximo. Apesar da repercussão internacional, especialistas reforçam que o risco de pandemia é considerado baixo. O hantavírus continua sendo uma doença transmitida por roedores silvestres por meio da inalação de partículas contaminadas por urina, fezes e saliva.
Nesta terça-feira, 12, a professora de Medicina Veterinária Camila Trenkel, do Centro Universitário Unisep, participou do programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM de Dois Vizinhos, e falou sobre o assunto. “O médico veterinário não trabalha só com animais. Temos ações de saúde pública, que é um pilar que nós chamamos de saúde única. Cuidamos dos animais e trabalhamos com a saúde humana. A hantavirose é causada pelo hantavírus e, nos últimos dias, tivemos várias notícias de casos confirmados, mas é importante lembrar que ela é considerada uma zoonose, ou seja, uma doença transmitida de animais para seres humanos. Ela é transmitida, principalmente, pelo contato com aerossóis, ou seja, pela poeira que contenha urina ou fezes de roedores silvestres. Nós sabemos que, inicialmente, surgiram notícias de que estaríamos prestes a uma nova pandemia, mas temos que ter cautela ao analisar as informações, porque o hantavírus tem algumas cepas e nem todas são transmitidas de humano para humano. É claro que o sistema de saúde pública está a par de toda a situação e repassa as recomendações por meio da Organização Mundial da Saúde (OMS). Os casos estão sendo diagnosticados e controlados. Precisamos tomar cuidado, principalmente, quando falamos da presença do roedor silvestre, que é o principal agente na transmissão da hantavirose. Locais com presença de urina e fezes de roedores devem ser evitados. Os médicos veterinários estão atentos a tudo isso e também precisamos ter cuidado com as falsas notícias em relação à possibilidade de pandemia. Aqui tivemos cepas sem transmissão de humano para humano”, resumiu a professora.
Ela também falou sobre os sintomas da doença. “Quando falamos da hantavirose, os principais sintomas são cardiorrespiratórios. A pessoa pode apresentar febre alta, dores musculares e sintomas semelhantes aos de um resfriado muito forte. Alguns estudos apontam que o hantavírus causa lesões respiratórias mais severas. O quadro pode evoluir para insuficiência respiratória, mas a doença é tratável. Não existe um tratamento específico, porém há tratamento de suporte e, por isso, ao apresentar esses sintomas, a pessoa deve procurar atendimento médico”, disse.
A doença
A OMS aponta que o hantavírus apresenta taxas de mortalidade elevadas nas Américas, podendo chegar a 50% em alguns casos graves. Em 2025, oito países das Américas registraram 229 casos e 59 mortes. Já na Europa, os números são menores e normalmente relacionados a outra forma clínica da doença.
No Brasil, os casos continuam concentrados principalmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, em áreas rurais e agrícolas. O Paraná está entre os estados que historicamente registram ocorrências, especialmente em ambientes com presença de roedores silvestres. A doença preocupa principalmente trabalhadores rurais e pessoas que realizam a limpeza de galpões, depósitos ou locais fechados sem ventilação adequada.
Fonte: Portal Educadora