Evento fez parte da programação do Maio Laranja.
Foto: Assessoria
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Na manhã desta segunda-feira, 18, dentro da programação do Maio Laranja, aconteceu um ato de conscientização e combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes em Dois Vizinhos. A caminhada teve início na Praça da Amizade e seguiu até a Prefeitura Municipal, levando mensagens de conscientização pelas ruas centrais da cidade.
A mobilização foi promovida pela Secretaria Municipal de Assistência Social, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação e Cultura, contando com a participação das escolas municipais e estaduais do município. Vale ressaltar que, durante a última semana, foram realizadas diversas atividades, como rodas de conversa e contação de histórias, buscando tornar as crianças mais proativas.
Em participação no Educadora News desta segunda-feira, 18, o delegado Rodrigo Ribeiro Nunes, da 60ª Delegacia Regional de Polícia, falou sobre os sinais que devem acender o alerta dos pais. “Verifiquem, por exemplo, mudanças repentinas de comportamento, ou seja, a criança é alegre e passa a ficar mais triste ou agitada sem motivo aparente, medo excessivo de determinada pessoa ou de lugares específicos, regressão a comportamentos anteriores, como voltar a usar bico ou fazer xixi na cama. Tudo isso pode ser indicador de abuso. Também temos a questão do conhecimento e interesse sexual precoce, queixas físicas sem causas aparentes, como dores de barriga, lesões na região genital, sinais físicos como hematomas e desconfortos, além do isolamento social e queda no rendimento escolar. Para nós, normalmente, os casos chegam através de revelações espontâneas na escola ou pelos professores que conhecem as crianças, mas também recebemos denúncias e encaminhamos imediatamente para a escuta especializada, feita pela rede de proteção, seja Conselho Tutelar, Saúde, Creas ou Cras”, disse.
A promotora de Justiça Larissa Batista Vasconcelos ressaltou que, muitas vezes, o agressor é uma pessoa muito próxima da família. “Muitas vezes, o agressor, o abusador, está dentro de casa, da própria família. É uma pessoa que não levanta suspeita, que aparenta ser protetora. A gente fala do pai, do padrasto, da tia, do tio, do primo, da prima, e tendemos a pensar sempre em um agressor do sexo masculino, mas não necessariamente. Pode ser do sexo feminino. O fato é que esse espaço interno, que é a casa, acaba servindo como algo que mascara o abuso. Então, a criança se sente, inclusive, confusa, porque associa aquela pessoa à proteção. Se a pessoa está tocando em uma parte do corpo que não deveria, a criança não sabe se aquilo está errado, porque é alguém de quem ela gosta, alguém a quem recorre para situações banais. Isso acaba permitindo que o abuso se prolongue no tempo. Muitas vezes, descobrimos quando a criança chega a uma fase em que percebe que aquilo não está certo. Por isso, ressaltamos o papel da escola, do atendimento da saúde e de campanhas como essa, que levam conhecimento para crianças e adolescentes, fazendo com que entendam que estão sendo vítimas”, disse.
Ela também trouxe dados alarmantes. “Em 2026, o Ministério da Justiça estima cerca de 150 casos de estupro de vulnerável por dia no Brasil. Ou seja, neste ano, já foram mais de 13 mil casos. É muita coisa. A maior parte disso acontece dentro de casa. Não podemos baixar a guarda para outras situações, porque pode acontecer em qualquer lugar, mas chama atenção o fato de que grande parte acontece no ambiente familiar”, completou.
A dra. Amanda Kutzner, da 60ª Delegacia Regional de Polícia, destacou que o diálogo dentro da família é fundamental. “A conversa precisa ser fortalecida dentro de casa e essa é uma responsabilidade dos pais, que são os primeiros garantidores da proteção das crianças. Considerando a idade, é importante mostrar para a criança que situações que causam medo ou dor não devem ser guardadas, mas compartilhadas com os familiares, porque o silêncio só beneficia o agressor. Esse tipo de conversa é o primeiro passo e é fundamental. Tem também a questão da escola, onde muitas vezes a criança busca os professores porque se sente segura e confia que sua voz será ouvida. As redes de proteção contribuem, mas é dentro de casa que ela precisa se sentir segura. Então, é importante que os familiares mais próximos tenham esse diálogo para contribuir para que as crianças se sintam à vontade para compartilhar seus medos e angústias”, afirmou.
Ela também falou sobre os canais de denúncia. “O Disque 100 é um mecanismo de denúncia anônima e segura, específico para casos de violência contra crianças e adolescentes. Temos também o 190 da Polícia Militar, o 197 da Polícia Civil e o Conselho Tutelar. A proteção não é responsabilidade apenas da Polícia, do Ministério Público ou do Judiciário, mas de toda a sociedade: do amigo, do vizinho, do pai, do tio, do irmão e da escola, que têm o dever de denunciar e encaminhar situações de violência contra crianças. Vale ressaltar que, de acordo com o artigo 217-A, todo e qualquer ato libidinoso praticado com criança ou adolescente menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável. A violência é presumida e a pena varia de oito a 15 anos de reclusão. O consentimento da vítima é juridicamente irrelevante. Ou seja, qualquer ato sexual ou libidinoso envolvendo menores de 14 anos é considerado estupro de vulnerável”, concluiu.
Fonte: Portal Educadora