Produtor rural denuncia que tensão da energia chega a 300 volts e provoca prejuízos na produção leiteira em Dois Vizinhos.
Foto: Reprodução Facebook.
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O produtor de leite Márcio Picetti, da Leiteria Picetti, em Dois Vizinhos, usou as redes sociais para relatar problemas no fornecimento de energia elétrica, marcando o perfil do Jornal de Beltrão em sua publicação. Segundo ele, oscilações severas na tensão da rede têm causado prejuízos financeiros e danos frequentes aos equipamentos da propriedade.
Em vídeo publicado no Facebook, o produtor explicou que investiu há cerca de quatro anos em um sistema de energia fotovoltaica, cuja instalação passou por avaliação e aprovação prévia da Copel. Nos primeiros três anos, o sistema operou sem intercorrências. "O problema é o seguinte. Na época, a empresa que vende as placas tem que mandar um projeto para a Copel. A Copel vem, faz avaliação, aprova ou não. Aprovou, liberou, pode instalar. Está instalada a minha energia. Funcionou três anos muito bem", declarou.
De acordo com Picetti, a instabilidade começou com as obras de modernização da rede elétrica na região. "De um ano para cá, a Copel está mexendo nas redes para o Paraná trifásico, que é uma coisa boa, que é necessária. Porém, a energia agora está dando pico de 300, 310 volts. E não tem motor que aguente", afirmou. As oscilações afetaram diretamente as ferramentas essenciais para a atividade leiteira, gerando um prejuízo acumulado que foi apenas parcialmente coberto. "O ano passado eu tive 33 mil de prejuízo. Acionei o seguro. O seguro me pagou 18 mil só. Motor queima. Os medidores eletrônicos da ordem. Motor do tanque. Ventiladores. Bomba do artesiano", detalhou o produtor, acrescentando que a situação não é isolada: "E não é um problema só meu". No vídeo, Márcio exibiu o mostrador de um painel técnico para questionar o padrão do fornecimento recebido na propriedade. "A energia do Paraná era o máximo 227. Vamos dizer que considerando um pouquinho para cima e para baixo, 240, 250. 296. Não tem motor que aguente. Queima tudo".
Para tentar mitigar os danos, uma das alternativas adotadas foi a instalação de componentes de proteção no quadro elétrico. "Eu instalei um DR, que é um dispositivo residual, dentro do painel, para que se a energia ficar alta demais, ele se desliga automático", explicou.
Mesmo com o desligamento voluntário das placas solares para testar a origem da falha, os níveis de tensão elevados persistiram na entrada da rede. "E mesmo assim, vocês vão ver que desligaram as placas solares. Continua 286. E aí, COPEL, é culpa das placas? Ou está vindo da rede?", questionou.
Ao final do desabafo, o produtor cobrou uma solução imediata por parte dos responsáveis. "Então, por favor, alguém dê uma solução ou dê uma dica do que tem que fazer, porque está impossível. Tem que produzir no Brasil, está difícil. No Paraná, também continua difícil", concluiu.
Fonte: Jornal de Beltrão