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Moro detalha projeto de governo em entrevista exclusiva para a Rádio Educadora

Pré-candidato a governador, o senador falou que seu trabalho será focado na luta contra a corrupção, na segurança pública e infraestrutura.

Moro detalha projeto de governo em entrevista exclusiva para a Rádio Educadora
  • 17 de Junho de 2026
  • Foto: Portal Educadora

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Na manhã desta quarta-feira, 17, o senador e pré-candidato ao Governo do Paraná, Sérgio Moro (PL), participou do programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM. Entre diversos assuntos, ele destacou seu projeto na busca pelo Palácio Iguaçu e relembrou momentos marcantes da carreira como jurista, ministro e senador. Na abertura da entrevista, ele enfatizou a importância do Sudoeste do Paraná. “O Sudoeste é pujante, tem uma influência política muito grande e eu tenho estado constantemente por aí porque tenho grandes aliados. Na última vez que estive em Dois Vizinhos, por exemplo, tive a oportunidade de conhecer a Ciss, que é um exemplo para o Paraná, e é isso que queremos para o nosso Estado. Temos orgulho do agro, que é a grande locomotiva da nossa economia, mas o futuro é a tecnologia da informação. Quando você pega uma das maiores empresas de software do Brasil instalada aí, percebemos o potencial do Paraná nesse segmento”, disse Moro.

Ele falou sobre seu projeto de governo. “Eu convidei para ser vice na minha chapa o empresário Edson Vasconcelos, de Cascavel, que era presidente da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), até para dar um recado de que o nosso projeto vai ser técnico. Queremos fazer do Paraná o estado mais seguro do país e retomar a agenda anticorrupção que foi abandonada por Brasília (DF). Claro que as pessoas querem saúde, educação e melhor infraestrutura. Por exemplo, quero enfatizar que o combate à corrupção é um meio, não uma finalidade específica. A segurança pública também, porque queremos as pessoas seguras para poder prosperar. Esses dois projetos são meios para alcançarmos outras finalidades. Estamos ouvindo lideranças de todos os setores para apresentar um grande projeto aos paranaenses.”

Moro detalhou uma das propostas para a saúde. “Queremos ter a tabela SUS paranaense. Essa é uma experiência exitosa em São Paulo porque um dos grandes problemas é que o SUS paga de maneira insuficiente os serviços médicos e muitos profissionais não se sentem à vontade para prestar o serviço. O que fizeram em São Paulo? Criaram fontes de financiamento específicas para suplementar o pagamento da tabela SUS do Governo Federal e isso aumenta a oferta para atender à grande demanda existente”, explicou.

Ratinho Júnior

Moro também falou sobre a relação com o atual governador Ratinho Júnior. “Eu não sou adversário do governador, nunca fiz oposição. Nesses últimos quatro anos, me coloquei claramente como oposição ao PT e ao Governo Federal, que está arruinando o país e, por isso, apoiamos a pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência da República. No Paraná, queremos dar continuidade aos bons projetos atuais, mas queremos buscar a excelência. Eu ouço muito — não me interprete mal, mas isso me irrita — que o Paraná é um estado acima da média. Puxa, ótimo, mas temos que ser os melhores do Brasil. A segurança, por exemplo, tem os piores indicadores da região Sul, de acordo com o Atlas da Violência, com 18,6 assassinatos por 100 mil habitantes. Isso acaba afetando todo mundo. Nossas estradas, vamos falar francamente: basta viajar para São Paulo que ficamos chateados. O Sudoeste, inclusive, sofre muito com isso porque foi muito negligenciado nessa parte da infraestrutura logística. Queremos dar um salto de desenvolvimento para preparar o Paraná para o século 21”, acrescentou.

Ele aprofundou o assunto das rodovias. “Nas duplicações, eu gosto de citar um exemplo: eu nasci em Maringá, moro em Curitiba por conta da carreira de juiz e senador há 20 anos, mas já morei em Cascavel. Era 1999 e a gente viajava com frequência para a capital pela BR-277 e já reclamávamos porque, naquela época, o tráfego era intenso e a estrada não tinha duplicações ou terceiras pistas. Se pegar o carro hoje, é a mesma estrada. Não avançamos significativamente e já pagamos 30 anos de pedágio. No Sudoeste é ainda pior. Eu estive aí em Itapejara d’Oeste, na Festa do Leitão Maturado, e fiz grande parte do percurso de carro. É muito complicado. Você perde tempo, energia e ainda há o risco para as vidas humanas, com acidentes terríveis.”

Distribuição de energia

Moro também deu sua opinião sobre a Copel. “Ela foi privatizada e eu não tenho nada contra isso, pois tenho uma visão liberal da economia, mas a empresa privatizada continua tendo responsabilidade com seus clientes, com os consumidores. Nós assistimos frequentemente a quedas de energia com demora no restabelecimento, que geram prejuízos milionários aos produtores e cidadãos. Se a economia do futuro é tecnologia da informação, se precisa de IA, de data centers e falta energia para os aviários, como é que fica?”, indagou.

Caso eleito, Moro também planeja fortalecer as ferrovias. “Precisamos fazer o Paraná ficar mais competitivo. Eu tenho orgulho em ser paranaense, mas estamos longe da situação ideal. Nossa malha ferroviária é muito pequena. Dependemos muito do Governo Federal neste setor, que tem a competência para fazer as concessões, e as que foram feitas aqui no Sul foram ruins. Com a caneta do governador, se formos honrados ao chegar a essa posição, vamos trabalhar para que haja ampliação e investimentos da concessionária para expandir a malha ferroviária.”

Moro completou que todos os gargalos do Paraná serão observados. “Temos um trabalho da Fiep, onde estava o vice da minha chapa, que identificou os pontos de estrangulamento econômico do Paraná. Isso nos fornece um mapa do que temos que fazer. Isso envolve a questão logística viária, ferroviária e até questões relacionadas a aeroportos regionais, porque precisamos desses espaços fortes e bem estruturados para fomentar o desenvolvimento”, disse.

O senador falou sobre o combate à corrupção. “Um dos nossos projetos é criar uma agência estadual anticorrupção. Seria um órgão de prevenção e repressão dentro do próprio governo, mas com diretor com mandato para ficar imune às pressões políticas e poder realizar seu trabalho. A gente fala da corrupção em Brasília, mas e aqui no Estado? Tivemos um presidente da Assembleia Legislativa, o anterior, que confessou receber suborno e ficou por isso mesmo. Isso é uma vergonha para o nosso Estado: esse indivíduo ainda é deputado estadual. Temos que combater esse tipo de vício e crime. Como governador, se for honrado com essa posição, não irei me calar. Vamos mostrar e fazer nosso dever de casa”, completou.

Caso eleito governador, o senador pretende formar um primeiro escalão bastante técnico. “Queremos pessoas preparadas nas secretarias para oferecer um trabalho digno aos paranaenses. Quando olhamos para as secretarias, vemos pessoas despreparadas, que não têm vocação, não sabem o que estão fazendo e ficam focadas em atender seus nichos políticos. Nós vamos fazer um governo para todos. Por isso, temos circulado e viajado bastante, encontramos as pessoas, conversamos e ouvimos para chegarmos a esse projeto técnico que será apresentado da forma adequada aos paranaenses”, completou.

Carreira

Indagado sobre sua experiência para governar o Paraná, ele relembrou a carreira. “O pessoal esquece que eu fui juiz e fiz a maior operação contra a corrupção do Brasil. Fizemos história, colocamos o Paraná em uma posição de liderança. As pessoas saíram às ruas no país todo apoiando a operação, mas foi a boa gente do Paraná que deu apoio inicial para que ela avançasse. É direito, aplicação da lei, um trabalho técnico, mas sabemos que são enfrentados interesses poderosos numa operação dessa espécie. Depois houve a reviravolta política para colocar os bandidos soltos novamente e voltarem a roubar, mas fizemos nossa parte com firmeza. Também fui ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro e, naquele ano, o número de assassinatos caiu 22%. Desenvolvemos programas como a Operação Vigia nas fronteiras, criamos o Centro Integrado de Operações de Fronteira em Foz do Iguaçu, um programa da Força Nacional em São José dos Pinhais, revitalizamos o Banco Nacional de Perfis Genéticos, que é um instrumento importante para investigação, e alguns programas, como a reformulação da Secretaria Nacional Antidrogas, permanecem no mesmo formato até hoje. Foi um ministério muito técnico”, destacou.

Moro também falou sobre estar na liderança das pesquisas. “O paranaense quer ter um líder em quem possa confiar e que faça as transformações necessárias para o Estado avançar, mantendo as conquistas já realizadas. Creio que nosso histórico e o trabalho que está sendo desenvolvido têm me concedido a preferência nas pesquisas. Temos muito trabalho pela frente e tenho que manter os pés no chão, mas fico honrado com isso. Sempre que encontro alguém que votou em mim nas eleições de 2022, ressalto que, diariamente, busco honrar esse voto. A gente tem a visão de que a política se deteriorou, muita gente faz da política um meio de enriquecimento ilícito, mas não podemos esquecer o aspecto mais nobre da profissão de político e parlamentar, que é representar as pessoas, ser a voz das pessoas em Brasília com altivez e corresponder à vontade dos meus conterrâneos. É isso que vamos fazer se recebermos a preferência para chegar ao Palácio Iguaçu”, concluiu.

Fonte: Portal Educadora