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Requião Filho esmiúça proposta de governo em entrevista para a Educadora FM

Pré-candidato a governador pelo PDT, ele falou sobre a carreira, adversários e desafios do próximo governador do Paraná.

Requião Filho esmiúça proposta de governo em entrevista para a Educadora FM
  • 07 de Julho de 2026
  • Foto: Reprodução YouTube

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Na manhã desta terça-feira, 7, o pré-candidato ao Governo do Paraná, Requião Filho (PDT), concedeu entrevista, por videoconferência, ao Programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM de Dois Vizinhos. Durante a conversa, ele detalhou propostas do plano de governo e se colocou como oposição ao grupo do atual governador, Ratinho Junior (PSD), e a Sérgio Moro (PL), que também é pré-candidato ao Palácio Iguaçu. “Eu fui criado no MDB junto com Roberto Requião (ex-governador e ex-senador do Paraná). O nosso jeito de trabalhar vocês conhecem. O empresário sabe que nós diminuímos impostos, o agricultor sabe que nós demos luz de graça, financiamos tratores, criamos programas e colocamos o Estado para trabalhar em conjunto com o produtor. O pessoal da cidade sabe que investimos em geração de empregos. Vocês estão preocupados com a cor da minha bandeira? Se preocupem por quem bate meu coração, que é pelo povo paranaense, pelo produtor, pelo empresário, pelo industrial. Estou no PDT hoje, mas fui criado no MDB e gato que nasce no forno não é biscoito. Enquanto os políticos, em geral, trocam de siglas partidárias como trocam de camisa, mudam o discurso ideológico para agradar os eleitores. Entre a prática e o discurso, eu falo o que faço e faço o que falo”, disse.

O pré-candidato, que é deputado estadual, destacou que gosta de estar nos municípios e conversar com a população. “O Paraná é enorme. São 399 municípios e cada região, cada município, tem características específicas. Então, estar presente nos municípios, conversar com rádios, jornais e com as pessoas é muito importante. Eu prezo muito por fazer essa política olho no olho, conversando com gente, enquanto alguns dos meus colegas só fazem política de gabinete e reuniões em ambientes com ar-condicionado, conversando com grandes empresários e grandes financiadores. Eu gosto de conversar com quem vive de verdade a região, com quem sente na pele a falta de estrutura, de saúde e de segurança, para que a gente saiba o que está bom e o que pode e deve melhorar”, completou.

Infraestrutura

Caso seja eleito, Requião Filho afirmou que uma das prioridades será melhorar a infraestrutura do Estado. “O projeto atual está com 30 anos de atraso. Deixaram tudo na mão do pedágio, não fizeram as grandes obras e as obras do pedágio, se forem feitas, já estarão 30 anos atrasadas. A gente precisa entender as necessidades de cada região e de cada obra. Precisamos de rodovias maiores, mais amplas, duplicações, quadruplicações, contornos viários e da retomada das ferrovias, que precisa ser debatida urgentemente”, resumiu.

Ele também pretende expandir o ensino técnico. “Nós temos um projeto, que deve incluir o Governo Federal, Itaipu e universidades, para trazer de volta os cursos técnicos, mas eu tenho que estar aí no Sudoeste, conversando com o povo, para saber qual é o tipo de mão de obra necessário e qual é o tipo de curso técnico que vai trazer benefícios para a região e para a produção. Estaremos rodando todo o Estado novamente porque não adianta levar uma formação que não terá resultado na região. Não adianta querer forçar essa ideia de tecnologia e modernidade se nem a internet funciona”, disse.

Ele ainda destacou algumas ações pensadas para as áreas de saúde e educação.

Requião Filho também falou sobre como pretende reduzir a carga tributária para micro e pequenos empresários. “O atual governador fala que é contra impostos, que acha um absurdo o Brasil pagar tanto imposto e baixou o IPVA. Muito bom, baixou, diminuiu a arrecadação das prefeituras de forma repentina, mas o ICMS, que está em cima de tudo o que compramos no mercado, do que a indústria compra e dos serviços que contratamos, subiu duas vezes e hoje temos uma das alíquotas-base mais caras do Brasil. Eu tenho uma proposta muito simples: trocar imposto por emprego. É imposto zero, ICMS zero. Não vamos cobrar impostos de micro e pequenos empresários. Mas, Requião, você vai diminuir a arrecadação do Estado? Não vou. Sete em cada dez empregos estão nas micro e pequenas empresas e, se a gente zerar o imposto até a reforma tributária ser aplicada em 2033, elas podem se reorganizar, contratar mais e pagar melhor.”

Copel e Sanepar

Requião destacou que as concessionárias de energia e de água devem estar a serviço dos paranaenses. “O Paraná é o sócio majoritário da Copel, mas nós pagamos uma energia caríssima por um serviço ruim, enquanto a Copel distribuiu R$ 1 bilhão em lucros para os acionistas. Pergunta para o agro se está feliz com a energia cara e prejudicando o trabalho. Energia no campo não é luxo, é necessidade. Pergunta para o pessoal da indústria se eles estão felizes com a energia cara e instável da Copel. Não estão. São máquinas queimadas, dinheiro perdido e aumento do custo de produção. Pergunta para uma família paranaense, para a dona de casa, se está satisfeita. A gente fala da Copel, mas a Sanepar passa pelo mesmo problema. Coloca aí o pedágio e o ICMS mais caro do Brasil, então fica difícil sermos competitivos e, mesmo assim, somos um Estado maravilhoso, onde o industrial, o agricultor e o empresário enfrentam as dificuldades, produzem e sobrevivem. Imagina com a mão forte do Estado. Em vez de empurrar a economia para baixo, ela puxa para cima. Imagina a potência que pode ser o Paraná.”

Sobre a Copel, afirmou: “Temos que retomar o controle da Copel. Ela não pode dar prejuízo e não deve ser uma estatal 100%, mas seu viés, seu norte, é ajudar o Paraná a crescer. Nós precisamos de energia barata, investimento em produção e distribuição, e isso torna o custo Paraná mais barato. Se a Copel é nossa, ela gera lucro social, ou seja, aquece e desenvolve a economia. Se ela é nossa, pode chegar aos rincões mais distantes sem se preocupar apenas com o lucro. Vamos ter água e esgoto em todas as comunidades porque a Sanepar e a Copel não vão se preocupar em dar dinheiro aos acionistas, mas em dar condições para que o paranaense tenha uma vida digna e a indústria e o agro produzam”, completou.

Experiência

O pré-candidato ressaltou que a juventude (ele tem 46 anos) não é um problema. “Eu estou nessa escola desde que nasci e uma coisa que eu tenho e eles não têm é uma equipe técnica capaz e direcionada, pensando no povo do Paraná. Há pouco tempo esse grupo dizia que o importante era ser novidade. Eu não apenas posso ser a novidade, ter a juventude necessária, com 46 anos, a força e a vontade de melhorar e mudar o Paraná, como também tenho uma equipe, um grupo de pessoas que já trabalhou por três vezes no Governo do Paraná e sabe o que dá certo e o que não dá. Tenho a capacidade de compreender o que deve ser mantido, independentemente de quem tenha começado o programa ou tido a iniciativa. Tenho a ajuda e a experiência de Roberto Requião, três vezes governador, criador de programas como Leite das Crianças, Correção de Solo com Calcário, Projeto Povo, Batalhão Escolar, Luz para Todos, Luz Fraterna e Trator Solidário. Nossa ideia é pegar tudo o que deu certo lá atrás e retomar. O produtor que está nos escutando e está preocupado com o Plano Safra e com o seguro pode saber que nosso programa de governo prevê a retomada do seguro-safra para o pequeno e médio produtor, que hoje sofre sem essa proteção e com os valores absurdos cobrados pelos bancos”, disse.

Todos contra Moro?

Requião fez uma avaliação dos adversários na disputa pelo Governo do Paraná. “Sérgio Moro (pré-candidato pelo PL) é um problema. Ele é um nó a ser desatado. Ah, mas ele está muito bem nas pesquisas? Ok, está bem porque o povo ainda não conhece o Sérgio. Esqueceu que ele é senador há quatro anos e não fez nada pelo Estado. Ele se calou na venda da Copel, da Celepar, no debate sobre o pedágio e quando as indústrias reclamaram que o Estado não estava sendo parceiro. Sérgio Moro ainda vive do recall da Lava Jato, do combate à corrupção. Não podemos esquecer que ele esteve no Governo Bolsonaro e saiu acusando a família Bolsonaro de corrupção e de práticas ligadas ao que havia de pior na política. Agora volta com o apoio deles. Sérgio Moro não é contra a corrupção, é a favor do discurso fácil. Se perguntarmos qual é a proposta para a educação, ele responde que é contra o PT. Se perguntarmos como melhorar a segurança, ele responde que é contra o PT. Se perguntarmos como desenvolver o Sudoeste do Paraná, ele vai dizer que é contra a corrupção e o PT. Quando vejo Rafael Greca (pré-candidato pelo MDB), que já esteve do nosso lado e também contra nós, e por quem tenho respeito e carinho, dizendo que é o Paraná contra Sérgio Moro, ele expressa aquilo que eu venho tentando colocar: Sérgio Moro seria um atraso. Ele não está preocupado em melhorar a educação, a produção ou a vida do paranaense. Ele quer um trampolim para chegar à Presidência da República. Ele não conhece nosso Estado nem nossa realidade. É um discurso fake e forçado. Quando Rafael Greca fala em todos contra Sérgio Moro, quer dizer que, entre todos os demais candidatos, existe ao menos uma parcela de amor ao Paraná.”

E o vice?

A composição da chapa será anunciada no limite do prazo das convenções, que termina em 5 de agosto. “Para quem joga truco, nesta campanha está todo mundo escondendo o zap. Ninguém fala de vice até o último minuto, na hora de gritar seis, nove ou doze. Estamos trabalhando, já temos seis partidos conosco, quero chegar a nove e converso com qualquer um que queira discutir um Paraná para as pessoas. Converso com qualquer um que entenda a importância da regionalização do desenvolvimento, da saúde e dos programas, com qualquer um que entenda que o grande agro é importante, mas que não podemos esquecer do pequeno agricultor. Converso com qualquer um que entenda que educação é alegria na sala de aula antes de mais nada. Essa educação do século passado, com crianças sentadas, decorando e levando reguada na mão, não funciona. Mas o oba-oba da plataformização e de tirar a autonomia do professor também não funciona. O equilíbrio entre essas duas realidades é o mais importante. Quem não sabe de onde veio não sabe para onde vai. Temos que valorizar a história do nosso povo, da nossa gente e do nosso Estado para sabermos quem somos, por que somos e o que somos. Assim conseguiremos construir um futuro justo e igualitário para todos”, concluiu.

Sobre

Maurício Thadeu de Mello e Silva é natural de Curitiba e tem 46 anos. É filho do ex-senador e ex-governador do Paraná Roberto Requião e de Maristela Quarenghi de Mello e Silva. Ingressou na política em 2014, quando foi eleito deputado estadual pela primeira vez. Foi reeleito em 2018 e 2022. Também é advogado e especialista em Políticas Públicas.

Fonte: Portal Educadora