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Nova mistura de etanol na gasolina exige atenção dos motoristas

Especialista de Dois Vizinhos orienta sobre os cuidados com abastecimento e manutenção.

Nova mistura de etanol na gasolina exige atenção dos motoristas
  • 15 de Julho de 2026
  • Foto: Portal Educadora

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O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) aprovou, na terça-feira, 14 de julho, a proposta do Governo Federal de aumentar o percentual de etanol na gasolina de 30% para 32%. A medida é válida por seis meses e tem como objetivo tentar conter os preços diante da volatilidade do mercado internacional. O Conselho informou que a nova mistura foi aprovada em todos os testes realizados. No ano passado, o percentual de etanol na gasolina já havia sido elevado de 27% para 30%.

Entidades do setor criticaram a medida. A Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA), por exemplo, divulgou uma nota repudiando a decisão. Já a Brasilcom, entidade que representa distribuidoras regionais de combustíveis, juntamente com a Fecombustíveis (revendedores), o SindTRR (transportadores-retalhistas) e a Abicom (importadores de combustíveis), afirma que a mudança pode provocar impactos no desempenho dos veículos, na durabilidade de componentes e nos custos de manutenção.

O departamento de jornalismo das Rádios Educadora e Vizi FM entrevistou o mecânico e empresário duovizinhense Jackson Chitolina, sócio da Mecânica Triângulo e da CK Multimarcas. Segundo ele, quanto mais antigo for o veículo, maiores tendem a ser os efeitos da mudança. “Nos outros países essa mistura é de 10%, aqui começou com 7%. Então o veículo mais antigo, que não acompanha a tecnologia, vai sofrer mais”, explicou.

Os veículos mais novos, equipados com injeção direta, também podem ser mais sensíveis à qualidade do combustível. “Os carros premium sofrem, que tem injeção direta e bomba de alta pressão. Antigamente os carros usavam somente um sistema de bomba, que era aquela bomba interna de combustível ou até mesmo aquela no motor. Hoje temos duas: uma interna no tanque que manda o combustível pra uma bomba de alta pressão onde ela vem de 4 a 6 BAR e no motor ela passa para 200 BAR de pressão por questão do sistema de injeção direta. Então, esses motores sofrem muito, como o Golf GTI, o Jetta. Se não utilizar uma gasolina aditivada e de qualidade, a primeira coisa que acende é a luz da injeção. Isso diminui ainda mais a qualidade e dificulta a identificação do combustível. A central acaba não entendendo o que está no tanque e o carro não pega”, disse.

Os carros flex são projetados para operar tanto com gasolina quanto com etanol. Porém, com a mistura de 32% de etanol na gasolina, pode haver dificuldade na identificação do combustível pelo sistema eletrônico do veículo, conforme explica Jackson Chitolina. “Temos essa questão do aumento do etanol, mas também a origem duvidosa do combustível. Pegamos casos na empresa de que a pessoa abasteceu em lugares que a gasolina estava mais em conta e o carro deu problema porque muitas vezes preço e qualidade não costumam andar juntos. O etanol absorve mais umidade que a gasolina, então, às vezes o condutor abastece o veículo e roda pouco, fica o álcool no tanque e gera mais umidade. Isso diminui ainda mais a qualidade do combustível e tem mais dificuldade de entender qual o combustível e aí a central, que identifica o combustível, acaba não entendendo e o carro não pega”, destacou.

Diante das mudanças, a manutenção preventiva se torna ainda mais importante. “A dica principal é a revisão e trocar o filtro a cada seis meses. Não tem mágica nem mistério. A gente também recomenda que o motorista não fique mudando de posto em virtude de preço, por exemplo. Você ter essa fidelidade é importante para que, se tiver algum problema, saber de onde veio aquele combustível e até conversar com o proprietário do posto e tentar algum ressarcimento. Já pegamos casos que o posto teve problemas de manutenção e ressarciu o cliente”, orientou.

Fonte: Portal Educadora