Deputada federal, ela já teve sua candidatura ao Senado homologada pelo Partido dos Trabalhadores.
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Nesta terça-feira, 29 de julho, a deputada federal e candidata ao Senado, Gleisi Hoffmann (PT), participou, por vídeo, do Programa Sete e Meia, na Rádio Educadora FM. Na ocasião, ela falou sobre o cenário que se desenha e as suas expectativas na disputa pelo cargo. “Estou muito animada. Tenho andado pelo Paraná, conversado com as pessoas, com as mulheres, principalmente, com as nossas lideranças institucionais e vendo a necessidade que temos de ter, no Senado, pessoas que façam articulação política com os setores da economia e sociais, além de ter a representação feminina. Estou animada com a campanha, com a caminhada, temos condição de desenvolver muitos projetos, ações e já temos feito isso através do Governo Federal, da Itaipu, podendo aprofundar mais e trazer mais investimentos para o Paraná”, disse.
Ela destacou algumas propostas para o Sudoeste. “Eu adoro a região, é uma das minhas regiões preferidas e precisamos articular muito na questão da infraestrutura. O Sudoeste é rico, grande produtor, tem gente trabalhadora, uma agricultura familiar pujante, muita tecnologia instalada e precisamos de uma conexão melhor. Infelizmente, as rodovias que ligam o Sudoeste não são duplicadas, temos problemas de infraestrutura e logística, então, precisamos nos unir para poder melhorar. Estamos investindo, através da Itaipu, não na estrutura mais pesada, mas nos municípios, com ajudas para fazer asfaltamento, ligações importantes. Em Dois Vizinhos, por exemplo, tivemos a Rodovia Avelino Provin que, com recursos da Itaipu, em parceria com a prefeitura, e aqui quero cumprimentar o prefeito Carlos Turatto (PSD), porque era uma demanda antiga da região. Isso é um exemplo, mas não é esse tipo de intervenção que vai resolver o problema da logística. Precisamos ter uma intervenção grande na BR-163 e na BR-277 para ter condições de escoar a produção”, disse.
Gleisi falou sobre a importância dos senadores. “Só temos três senadores por Estado e qual é a função deles? Articular as lideranças políticas, independentemente de partido, porque o senador representa o conjunto do Paraná, não a proporção dos eleitores. Temos também que organizar e articular as forças econômicas, produtivas e sociais para buscar recursos e desenvolvimento. Hoje, infelizmente, temos um Senado muito fragilizado. Não temos senadores ativos, tirando o Flávio Arns, que tem uma causa belíssima da educação especial, os outros dois são muito apagados. Estamos perdendo uma oportunidade muito grande de avançar. Lembro quando fui senadora com o (Roberto) Requião e o Osmar Dias e a gente tinha uma articulação muito boa, trabalhávamos juntos, tínhamos presença em Brasília (DF), fazíamos as coisas acontecerem, por isso, estou muito empolgada em retomar essa caminhada. Claro que é uma campanha muito disputada, está todo mundo ‘embolado’ e a maioria das pessoas ainda não decidiu o voto. Fico feliz em poder participar dessa corrida eleitoral, mas vamos apresentar nossas propostas, as propostas para as mulheres, porque, quando sentamos à mesa para discutir e decidir os rumos que temos que tomar, se a visão das mulheres não for contemplada, a coisa fica capenga”, completou.
A deputada enfatizou a importância da mulher. “Somos mais da metade da população e somos sub-representadas nos cargos de comando, por isso, precisamos incentivar as mulheres a participar. Por onde andei, sempre levei essa pauta, seja a luta contra a violência, mas também as lutas por melhores condições de trabalho, de salário, de sustentabilidade, da aposentadoria da dona de casa, então, acho que isso é importante, tratando pautas que têm a ver com a vida das pessoas, como a saúde. Precisamos pegar firme. Aumentamos, agora com o governo do presidente Lula (PT), em 77% os recursos da saúde. Renovamos a frota de ambulâncias do SAMU, estamos construindo unidades básicas, os kits, as carretas, estamos equipando hospitais e isso faz parte de uma articulação entre o Ministério da Saúde e os interesses dos municípios e do Estado. A vida acontece nos municípios, por isso, não adianta discutirmos grandes temas em Brasília (DF) se não trouxermos concretude para as pessoas. O que podemos ajudar, o que eu posso fazer por Dois Vizinhos? Articular com os ministérios e a Itaipu para trazer recursos e isso é o que nos motiva nessa caminhada”, completou.
Ela também falou sobre o combate ao feminicídio. “Quando eu estava na Secretaria de Relações Institucionais, desenvolvemos o plano ‘Brasil contra o Feminicídio’, integrando os três Poderes. Articulamos ações e, por exemplo, a medida protetiva, que levava, em média, 14 dias para ser concedida, conseguimos reduzir para dois dias e o CNJ já está conversando com os Estados para chegarmos a 24 horas. Aprovamos, na Câmara dos Deputados, o uso obrigatório de tornozeleira eletrônica para agressor de mulher. Se ele não for ficar preso, eu acho que deveria ficar, mas a legislação tem uma série de nuances, ele tem que usar tornozeleira eletrônica e a mulher recebe um relógio ou outro equipamento que, quando o homem está se aproximando, ela vai ver e acionar as forças de segurança para que ele não tenha mais condições de agredi-la. Estamos fazendo uma ação chamada ‘Mulher Segura’, que articula as polícias das 27 unidades da Federação para prender os agressores. Isso fez com que tivéssemos redução de 2,25% no número de feminicídios em relação ao primeiro semestre de 2025. É pequeno, mas importante por ser a primeira redução. Prender é fundamental, importante, pedagógico. Quem agride mulher não pode ficar solto e temos que proteger a vida das mulheres”.
Gleisi destacou algumas lutas para a agricultura. “O presidente retomou os investimentos do Plano Safra com juros menores e melhores condições. O ideal seria ter um volume de recursos muito maior, com juros subsidiados, mas, infelizmente, temos uma taxa de juros muito alta no Brasil. Eu sou uma crítica dessa taxa de juros e da política do Banco Central. Acho que não precisamos disso, a inflação é razoavelmente controlada e o juro alto impacta em todas as áreas, seja agricultura, indústria ou comércio. Para o governo colocar um recurso mais barato, ele precisa equalizar a taxa de juros, subsidiar, colocar recurso público para reduzir o custo ao produtor. Agora, estamos negociando dívidas já que tivemos problemas com chuvas, perdas e o Ministério da Fazenda já fez propostas, temos que aumentar recursos para o seguro, o volume ainda é baixo para todos os tipos de agricultura que estão integrados e esses são os olhares que precisamos ter”, ressaltou.
Relação com o Supremo Tribunal Federal
Indagada sobre o STF, Gleisi falou que votaria, com tranquilidade, no impeachment de ministros. “Isso é função do Senado. Agora, para isso, precisa abrir o processo e ele precisa ter concretude, ter uma denúncia, ter provas. Eu não teria problema em votar impeachment para membro do Supremo se ficar claro que foram cometidos delitos. Só que isso não pode ser uma bandeira única de um candidato ao Senado. Isso é muita pobreza, até porque essa ação já está dentro da função do senador. Ele vai para lá e tem a obrigação de, se for instalado o processo, se dedicar, olhar, avaliar e votar. Agora, o senador precisa mais do que isso. Ele precisa ter a credibilidade do Estado e das forças políticas para trazer recursos, ajudar a desenvolver, por isso eu quero ser senadora, cumprindo as funções que estão no regimento interno e na Constituição”, acrescentou.
Ela falou sobre a relação com as mídias sociais e sobre as pesquisas eleitorais. “As redes sociais aproximaram o eleitor dos seus candidatos e dos políticos. Eles conseguem nos acompanhar, mandar sugestões, críticas, solicitações. É um mecanismo que facilitou a nossa relação. Em relação às pesquisas, é difícil dizer a tendência porque elas são retratos de momentos. Para o Senado, por exemplo, quase 70% do eleitorado não tem candidato. Então, as pessoas vão decidir mais à frente. Temos um retrato do momento, a política é dinâmica, fatores mudam a conjuntura, a percepção, a vontade de votar neste ou naquele e, durante os 70 dias de campanha, teremos a oportunidade de conversar, nos colocar, expor o que a gente pensa e como vemos a política e a função que estamos pleiteando. Daqui para a frente, aceleramos a nossa exposição de ideias e a conversa com o eleitorado para o pessoal conseguir escolher bem quem vai representá-lo”, concluiu.
Fonte: Portal Educadora