Grupo ‘Vidas que Continuam’ busca ser espaço de apoio para mulheres grávidas ou no puerpério, além de auxiliar amigos e familiares enlutados pela perda gestacional.
Foto: Arquivo/Portal Educadora
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A família da delegada Natália Fagundes Morari, que faleceu em janeiro de 2026, em Dois Vizinhos, criou o grupo de apoio 'Vidas que Continuam' (siga @vidasquecontinuam no Instagram), com o objetivo de falar sobre saúde mental na maternidade e no puerpério, além de auxiliar amigos e familiares enlutados pela perda gestacional. “A Natália era uma pessoa de luz, de muita empatia, que amava todos à sua volta e tinha um cuidado, um zelo pelo próximo. É justamente de todo esse amor, que não será maior que a dor, que nasce o Grupo Vidas que Continuam. O objetivo é continuar e perpetuar todo o amor da Nati e ajudar pessoas que se encontrem nas mesmas situações em que ela se encontrou. O grupo tem o propósito de ser um ambiente seguro de acolhimento para mulheres gestantes, em estado puerperal (45 dias após o nascimento), familiares e amigos enlutados pela perda gestacional e pela perda de entes queridos por suicídio. São assuntos delicados, pouco falados de forma aberta e, justamente, esse é o objetivo maior do grupo: ser um ambiente em que a gente possa falar sobre isso e ajudar o próximo, assim como a Natália sempre ajudou e continuará ajudando”, disse o marido e também delegado Rafael Tavares.
O perfil no Instagram ressalta que falar sobre psicose puerperal é reduzir o estigma, ampliar o conhecimento e ajudar outras famílias a reconhecer os sinais precoces. “Antes de inspirar este movimento, Natália foi filha, irmã, esposa, amiga, delegada de polícia e realizou o sonho de ser mãe. Sua trajetória, marcada pelo amor, dedicação e cuidado com as pessoas, inspira este movimento para que mulheres, famílias e sobreviventes do luto encontrem acolhimento, informação e esperança”, destaca uma das postagens.
O primeiro encontro on-line aconteceu no último dia 25 de julho e teve como tema 'A dor do luto e a resiliência do amor', com a psicóloga Letícia S. M. Rodrigues, especialista em saúde hospitalar e luto.
História
Natália Fagundes Morari nasceu em janeiro de 1991, em Uruguaiana (RS). Bacharel em Direito, era especialista em Direito Penal e Processual Penal. Dra. Natália ingressou na Polícia Civil do Estado do Paraná em 2022 e, em janeiro de 2023, assumiu a função de delegada-chefe da Comarca de Dois Vizinhos, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo. Ela morreu por suicídio no dia 25 de janeiro de 2026, dias após dar à luz. Sua passagem comoveu toda a sociedade duovizinhense e o Paraná.
Durante sua atuação, a delegada se destacou pelo compromisso com a proteção das mulheres e o enfrentamento à violência doméstica, promovendo atendimento humanizado às vítimas e contribuindo de forma efetiva para a garantia de direitos. Desde 2023, foi responsável pelo encaminhamento de 949 medidas protetivas de urgência ao Poder Judiciário, além de atuar na implantação de um espaço exclusivo para atendimento de mulheres na Delegacia de Polícia.
O perfil destaca que Natália sonhou com a maternidade, preparou os detalhes para a chegada do bebê, cuidou da alimentação, praticou atividade física e recebeu o apoio e o amor da família. Ela esperava viver intensamente essa nova fase, mas nada disso a impediu de adoecer. Antes da gestação, tinha diagnóstico de Transtorno Afetivo Bipolar (TAB) e Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG), realizando acompanhamento especializado.
Após o parto, o organismo enfrentou alterações hormonais, privação do sono e submedicação para seus transtornos, fatores que podem aumentar a vulnerabilidade ao desenvolvimento de transtornos psiquiátricos graves. De acordo com o perfil, Natália buscou ajuda e compartilhou com o psiquiatra os sentimentos e as mudanças que estava vivenciando, mas a consulta foi agendada para dez dias após o relato. Nesse intervalo, ocorreu o suicídio.
A família destaca que a conduta médica está sendo apurada em processo administrativo no Conselho Regional de Medicina e também na esfera penal, no Juizado Especial Criminal de Dois Vizinhos. “A psicose puerperal é uma emergência psiquiátrica. Reconhecer rapidamente seus sinais e garantir uma avaliação especializada pode fazer toda a diferença para a mãe e para o bebê”, destaca uma das postagens. A família também ressalta que não foi alertada de que o TAB era um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da psicose puerperal.
Fonte: Portal Educadora