Geral

Inova Queijo reúne produtores, pesquisadores e agroindústrias em Dois Vizinhos

O Sudoeste está entre as principais regiões produtoras de leite do Paraná e também possui tradição na produção de queijos artesanais.

Inova Queijo reúne produtores, pesquisadores e agroindústrias em Dois Vizinhos
  • 30 de Julho de 2026
  • Foto: Portal Educadora

  • 37

Durante toda a quinta-feira, 30, Dois Vizinhos sediou a 3ª edição do Inova Queijo. O evento foi criado para fortalecer a cadeia produtiva do leite e dos queijos artesanais, reunindo produtores rurais, agroindústrias familiares, pesquisadores, estudantes, empresas e representantes de instituições públicas e privadas. A programação contou com palestras, talk shows e exposição de laticínios e outras agroindústrias da região. A realização foi do IDR-Paraná, em parceria com o Sebrae/PR, a Associação dos Produtores de Queijo Artesanal do Sudoeste do Paraná (Aprosud) e a Prefeitura de Dois Vizinhos, com apoio da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), Sistema Faep, Cresol e Agência de Desenvolvimento Regional do Sudoeste do Paraná.

O secretário estadual da Agricultura e do Abastecimento, Natalino Avance de Souza, destacou o desempenho do Sudoeste na produção de queijos artesanais e o trabalho desenvolvido na região. “É sempre especial estar aqui, onde temos alta densidade de renda, com a região se destacando no cenário nacional. Essa parceria em torno do leite, do queijo e da agregação de valor é muito importante. Vivemos um momento especial, inclusive pelos resultados do Prêmio Queijo Brasil, com 34 medalhas para a região. O Sudoeste vem em uma trajetória de crescimento. A implantação da atividade leiteira foi construída por uma parceria histórica entre municípios, Emater e prefeituras. Depois veio o processo de transformação, consolidando essa vocação para os queijos especiais. Por isso, digo que a região é um exemplo a ser seguido. Quando analisamos as 23 regiões do Estado, o Sudoeste lidera em densidade de renda e merece reconhecimento pelo que vem fazendo pela agricultura paranaense”, afirmou.

O diretor-presidente do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), Altair Dorigo, também ressaltou o momento vivido pela cadeia produtiva. “É um evento importante para a região. Tivemos muitos prêmios para o Sudoeste e isso demonstra a importância do trabalho realizado para que nossos produtores agreguem valor ao leite por meio da produção de queijos. A extensão rural atua há muitos anos nesse processo e esses resultados são fruto da dedicação dos nossos extensionistas, que trabalham não apenas com os queijos, mas também com outras agroindústrias”, disse.

O gerente da Regional Sul do Sebrae/PR, César Colini, destacou o apoio da instituição ao empreendedor rural. “Essa é a terceira edição do evento e representa um trabalho intenso para que nossos queijos sejam cada vez melhores. Temos produtos premiados e conquistamos a Indicação Geográfica, o que comprova a qualidade e a procedência dos nossos queijos. O trabalho desenvolvido em parceria com o IDR, Seab e prefeituras busca levar mais qualidade aos produtores. Aqui valorizamos essa produção e trabalhamos para que os queijos do Sudoeste sejam cada vez mais conhecidos no Brasil e no exterior. O Sebrae está presente no campo porque acredita no desenvolvimento da pequena propriedade”, afirmou.

Leite de qualidade, queijo de qualidade

Um dos palestrantes foi o pós-doutor em culturas láticas Antônio Fernandes de Carvalho, que abordou a base tecnológica da produção de queijos e a importância da qualidade da matéria-prima. Ele destacou a evolução da produção de queijos no Paraná, especialmente no Sudoeste. “Já existe uma tradição muito forte na produção de queijo no Paraná. A história do queijo colonial atravessa várias gerações de famílias e, agora, muitos produtores buscam inovar e oferecer novos produtos ao mercado. Para isso, é necessário conhecimento científico. Foi isso que procurei apresentar: a importância de um leite de excelente qualidade e de compreender como transformá-lo em um queijo com as características desejadas pelo consumidor. Precisamos manter a tradição e o amor pela produção de queijos, mas também entender aspectos técnicos, como a caseína e os processos que permitem obter um queijo mais cremoso, mais seco ou mais firme. Em uma única palestra não é possível aprofundar tudo isso, mas a ideia é mostrar como a ciência pode contribuir para tornar o Paraná ainda mais competitivo no cenário nacional”, explicou.

Segundo ele, transformar o leite em queijo é uma das principais formas de agregar valor à produção. “A tendência mundial é essa. Quando o produtor domina o processo de fabricação do queijo, consegue agregar valor ao leite e aumentar sua rentabilidade”, afirmou.

Carvalho também comparou a tradição mineira com o crescimento da produção paranaense. “Minas Gerais tem uma tradição histórica na produção de queijos, resultado do próprio processo de ocupação do Estado. Mais tarde, imigrantes europeus, especialmente de países como Dinamarca e Holanda, também contribuíram para o desenvolvimento da atividade no Brasil. O queijo brasileiro não surgiu em Minas Gerais, mas hoje o Estado é o maior produtor de leite e queijo do país. Já a Região Sul é a que mais cresce, com produtos de excelente qualidade. Para fazer um bom queijo é preciso, antes de tudo, um bom leite. E isso vocês têm. Não precisamos competir entre regiões. O importante é que o Brasil produza queijos de qualidade para o mercado nacional e internacional”, concluiu.

Fonte: Portal Educadora