A entrevista, por vídeo, foi realizada na manhã desta segunda-feira, 3.
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Na manhã desta segunda-feira, 3 de agosto, o Programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM, conversou, por videoconferência, com o candidato ao Senado Deltan Dallagnol (Novo). Na ocasião, ele falou sobre algumas propostas e garantiu que poderá registrar a candidatura mesmo depois de ter tido o mandato de deputado federal cassado em 2023. Ele foi eleito em 2022 com mais de 344 mil votos. “No Brasil, ficamos esperando tudo. Somos o país da insegurança política. O Supremo Tribunal Federal (STF) não funciona e, se fosse um setor de uma empresa, estava todo mundo demitido. O Supremo é quem julga a elegibilidade dos candidatos. Como funciona? A gente protocola o pedido de registro e fica esperando. Hoje, eu estou plenamente elegível, vou ser candidato, para o desespero do PT. Eu fui afastado do cargo de deputado federal, mas não tive os direitos políticos cassados, nem fui condenado à inelegibilidade. Várias decisões da Justiça já reconheceram isso. Qual foi a razão de eles me cassarem? Eu pratiquei corrupção? Não. Pratiquei crime? Não. Estava sendo processado ou acusado por crime? Também não. Não tinha processo disciplinar e eles falaram que, no futuro, possivelmente, poderia ter alguma complicação de reclamação que existia contra mim e o STF entendeu, contra as decisões do Ministério Público e do Tribunal do Paraná, que isso poderia vir a ser um problema. Eles fizeram um exercício de bola de cristal, mas ela estava quebrada e nada disso se concretizou”, disse.
O candidato também falou sobre seu trabalho de combate à corrupção. “Eu coordenei a (Operação) Lava Jato em Curitiba, colocamos muito bandido na cadeia, recuperamos R$ 25 bilhões para a sociedade e, como incomodamos o sistema, eles revidaram, me cassaram. Eu sempre digo que, quando se tem corrupção, o dinheiro não é suficiente e, para manter o serviço público, é necessário aumentar impostos. Além disso, o Lula gasta como se não houvesse amanhã porque quer se reeleger e distribui todo tipo de benefício. As projeções dos economistas mostram que, em 2027, vamos ter um apagão fiscal. O que isso significa? Que não teremos dinheiro para pagar os serviços básicos. Só que o Brasil, sistematicamente, gasta mais do que ganha, tomou muito dinheiro emprestado e isso eleva os juros, pressiona todo mundo. Aí você vai à farmácia, à padaria, ao posto de gasolina e percebe que tudo está caro porque tem muito imposto. O brasileiro trabalha 150 dias só para pagar impostos que estão embutidos no preço de tudo o que consumimos”.
Deltan Dallagnol falou sobre algumas das suas bandeiras e os pedidos que ouve da sociedade. “As pessoas querem viver a sua vida, ganhar seu dinheiro, prosperar, sustentar seus filhos, pagar as contas no fim do mês e que sobre para fazer uma festa de aniversário, um churrasco. Elas querem ter segurança para sair na rua, de que os filhos vão sair e voltar para casa. A pessoa quer ter uma família que seja preservada, não quer ideologia de gênero, quer que a educação sexual seja dada dentro de casa, pela família, de acordo com a sua cultura. Querem ter um ambiente para que os filhos cresçam sem as drogas serem legalizadas, como fez o STF, contra a vontade da população. Você quer que a atividade econômica seja estimulada, apoiada, que o agricultor, que trabalha de sol a sol, não seja maltratado pelo governo. Você quer que o dinheiro do nosso imposto seja respeitado e volte em serviços. A gente paga imposto de Noruega, Suécia e Dinamarca, mas tem serviço público de países da África. No Brasil não falta recurso, sobra ladrão. A gente quer que operações como a Lava Jato funcionem e não os políticos blindados pelo STF”, disse.
A infraestrutura viária também é uma bandeira. “A minha família sofreu com dois acidentes trágicos que vitimaram minhas primas em estradas paranaenses e é de chorar o sofrimento que isso causou. Veja, nos trechos que não foram duplicados por conta de pagamento de propina, a Polícia Rodoviária mapeou mais de 400 mortes em colisões frontais que não aconteceriam se essas rodovias tivessem sido duplicadas. Isso significa 400 famílias chorando a morte de entes queridos, um sofrimento causado pela corrupção. A corrupção não é algo abstrato, ela mata, disfarçada de buraco em estrada, de acidentes, de falta de tratamentos e remédios em hospitais e o brasileiro só quer ser tratado com respeito, ter o seu trabalho respeitado, o dinheiro do imposto respeitado, não ser roubado, e que o Estado faça o básico”, completou.
Deltan destacou que é parceiro do agronegócio. “O governo atual tem o agro como inimigo porque o agro se alinha com a visão de mundo da direita. O agro defende a família, se alinha com a religião e o capitalismo. O agro é responsável por um quarto da riqueza produzida no Brasil, caminhando para um terço e responde pela metade da balança comercial mesmo sendo menosprezado por um governo que trata o agro como fascista, em um momento em que os juros sufocam o produtor rural, com 80% das famílias endividadas. Eu tenho um escritório de advocacia que atende o agronegócio e percebemos o aumento de dívidas. O agricultor endividado fica envergonhado. Não é à toa que a taxa de suicídio no agro é o dobro da taxa nacional porque temos ali pessoas que trabalham de sol a sol, querem pagar as contas, mas hoje, com os juros extorsivos que nós temos, quando entra em uma dívida e tem uma quebra de safra, não consegue pagar porque o juro não permite. Esse setor merece nossa atenção e tem que ser honrado como aquilo que é, quem carrega o Brasil nas costas", completou.
O candidato também falou sobre sua relação com o Sudoeste. “O Sudoeste é a região onde eu cresci, estudei, onde eu aprendi o básico e me conectei com os valores da sociedade, de honestidade, trabalho duro e serviço às pessoas. É um povo que traz consigo uma cultura forte de trabalho e empreendedorismo. Eu lembro quando era pequeno e ia para Dois Vizinhos, ficava hospedado na casa da minha tia Ires e meu tio Olindo (Pagnoncelli – em memória). Eu via eles trabalhando de sol a sol, carregando e descarregando caminhões, meus primos cresceram nessa cultura, depois foram empreender”, disse.
Por fim, Deltan exaltou a sua coligação. “Eu faço parte de um time que tem o Moro com uma campanha majoritária. Ele já demonstrou competência, dedicação e honestidade em tudo o que fez e já provou que não está lá para se servir do Brasil, mas para servir ao Brasil, diferente de grande parte dos políticos. Além de mim, temos também o Filipe Barros como candidato ao Senado. O Moro tem um grande projeto para o Paraná e escolheu como candidato a vice o Edson Vasconcelos, que foi presidente da Fiep, e isso importa bastante porque a federação fez estudos para o desenvolvimento de todas as áreas do Estado. Isso não foi feito agora, foi ao longo das últimas décadas e temos que usar esses dados para desenvolver. Temos que duplicar a PR-281, manter a 473 e a 483 justamente para escoar a produção do Sudoeste. Isso importa para todo mundo. Esse é um dos eixos centrais do plano de governo do Sérgio Moro e, naquilo que pudermos ajudar como senadores, trazendo recursos, vamos fazer. Sou candidato para lutar por aquilo que sempre sonhamos: um Paraná e um Brasil que tenham uma base de justiça, com ordem, segurança física e jurídica, combate à corrupção, pilares de prosperidade, com uma reforma tributária que nos conduza para um sistema mais eficiente; com reforma administrativa para cortar privilégios, estabelecer meritocracia no serviço público; com investimento em infraestrutura, que é o que mais desenvolve o país no curto prazo; em educação, que é o que mais desenvolve o país no médio prazo. E, quando se olha essa base de justiça e esses pilares de prosperidade, precisamos de uma argamassa para colar tudo isso, que é uma visão de decência, de valores, da defesa da vida, da família, das liberdades e dos valores que a gente sempre teve”, concluiu.
Fonte: Portal Educadora