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Uniproleite defende mudanças na cadeia produtiva do leite

Meysson Vetorello destacou trabalhos que estão sendo realizados, principalmente, para entender os custos reais da produção.

Uniproleite defende mudanças na cadeia produtiva do leite
  • 10 de Agosto de 2026
  • Foto: Assessoria

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O presidente da União dos Produtores de Leite do Paraná (Uniproleite), Meysson Vetorello, participou do Programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM, nesta segunda-feira, 10 de agosto, para falar sobre o cenário enfrentado pelo setor e as perspectivas para o futuro. “Nossa entidade nasceu para fazer a ponte entre o produtor, a indústria e os governos Estadual e Federal. Temos entidades que dizem que representam o produtor, mas elas representam da porteira para dentro, ajudando a ter eficiência. Nossa ideia é trazer ao produtor todas as informações cabíveis para que ele possa diminuir custos. Temos um grupo de estudos para mudar a cadeia do leite no Paraná, e isso vai servir de exemplo para o Brasil. Por que mudar? Porque, nos últimos dez anos, perdemos 63% dos produtores no país e, se mantivermos esse modelo, o pequeno produtor vai acabar. Um detalhe é que a produção dobrou mesmo com essa mudança. Temos que ficar mais eficientes para nos manter na atividade”, afirmou.

Meysson também defendeu que o setor brasileiro se espelhe em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Nova Zelândia. “Somos, por exemplo, o único país que negocia o litro de leite e não o quilo de leite. Por que quilos? Porque a indústria trabalha com sólidos, que são as proteínas mais a gordura. A média do Brasil de proteína e gordura é de 6,93 e a da Nova Zelândia é de 9,23. O que acontece com isso? Com o produto com mais sólidos, há maior rendimento e redução de custos na indústria. Com isso, a indústria pode pagar mais ao produtor”, destacou.

Os laticínios comercializam para grandes redes varejistas, o que também gera dificuldades na formação dos preços. “Temos cinco grandes redes que compram 67% de todo o lácteo do Brasil. Essas redes apertam a indústria, que aperta o produtor, e somos a classe mais achatada e a que menos tem representatividade. Falta pouco para o Brasil virar autossuficiente no leite, e a ideia do grupo é que a gente comece a exportar. Como vamos fazer isso se nosso custo é alto? A partir do momento que exportarmos, o varejo vai competir com a exportação, e isso pode melhorar o preço do leite. Temos um dos poucos produtos que não sai do Brasil e, mesmo assim, temos boa participação no Produto Interno Bruto (PIB). A ideia é que as indústrias cresçam e saiam dessas cinco redes também.”

Segundo Meysson, o trabalho será dividido em três frentes. “O trabalho vai ser árduo e dividido em três classes: a primeira é o mercado, que já discutimos; a próxima é a produção; e a última vai tratar de indústrias. Através desses três trabalhos, é formado o grupo de estudos que vai apontar o que vamos fazer para mudar a cadeia do leite. Vamos mudar para o pagamento por sólidos? Como vamos baixar o custo do produtor? O produtor não se importa se ele ganha R$ 3 e o custo é R$ 2,50 ou se o custo é R$ 1,50 e ele ganha R$ 2”, destacou.

Ele ressaltou que toda a cadeia precisa passar por mudanças. “Vai ser um contexto dinâmico, diferente, e vemos que as indústrias também estão precisando dessa mudança. Estamos todos sem saída. A indústria, para crescer, tem que se adaptar. Senão, ela vai estagnar com custo alto e ficar refém das cinco redes. Precisamos mudar a forma. E o pequeno vai acabar? Não, ele não vai acabar, mas vai ter que se organizar em associações e cooperativas.”

Meysson citou como exemplo uma associação do Noroeste do Paraná. “Ontem eu conversei com o presidente de uma associação do Noroeste, onde o produtor de 50 litros estava pegando R$ 3,03 o litro e o de 200 litros estava pegando R$ 3,18. Aqui na nossa região não tem isso porque os laticínios não deixam ou não negociam com associações. A Uniproleite nasceu para que o produtor comece a formar grupos, associações e pequenas cooperativas, e vamos levar isso para as indústrias”, completou.

E o custo?

Meysson defende ainda que o produtor precisa entender o custo real da produção. “Poucos produtores sabem fazer essa conta. A primeira pergunta é: qual é o salário do produtor de leite? Ele não tem um salário, mas trabalha de segunda a segunda. No direito trabalhista, nem pode trabalhar assim. Qual é o custo da produção? Qual é o custo de depreciação das máquinas, da tua estrutura, dos bens materiais e imóveis? Poucos querem que o produtor saiba o custo porque, senão, tu vai cobrar o preço.”

Segundo ele, a entidade busca desenvolver um modelo para calcular o custo de produção. “Estamos brigando para trazer um modelo com o IDR, FAEP, FETAEP e todas as entidades, buscando entender o custo de produção independentemente do sistema, seja a pasto ou confinado. O custo hoje varia de R$ 2,20 a R$ 2,40, é muito alto.”

Meysson também citou a necessidade de considerar todos os custos envolvidos na atividade. “A silagem, por exemplo, muitos produtores não consideram no custo, mas tua agricultura tem que vender para a pecuária. Ah, mas trabalha minha família aqui. Beleza, mas qual é o custo dessa mão de obra? Cada um precisa ter um salário. Esses são parâmetros que temos que colocar. Qual a margem, o lucro, quanto é guardado para investir? Aí falam que, se colocar isso, dá prejuízo, mas a indústria calcula tudo. Por que o produtor não coloca? Ele tem que fazer um custo de qualquer jeito para saber a realidade. Existem tantos aplicativos e softwares que calculam custo, mas nada para o leite”, disse.

Quem quiser informações sobre a Uniproleite pode entrar em contato com Meysson pelo telefone (46) 99122-9422.

Fonte: Portal Educadora