Meysson Vetorello destacou trabalhos que estão sendo realizados, principalmente, para entender os custos reais da produção.
Foto: Assessoria
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O presidente da União dos Produtores de Leite do Paraná (Uniproleite), Meysson Vetorello, participou do Programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM, nesta segunda-feira, 10 de agosto, para falar sobre o cenário enfrentado pelo setor e as perspectivas para o futuro. “Nossa entidade nasceu para fazer a ponte entre o produtor, a indústria e os governos Estadual e Federal. Temos entidades que dizem que representam o produtor, mas elas representam da porteira para dentro, ajudando a ter eficiência. Nossa ideia é trazer ao produtor todas as informações cabíveis para que ele possa diminuir custos. Temos um grupo de estudos para mudar a cadeia do leite no Paraná, e isso vai servir de exemplo para o Brasil. Por que mudar? Porque, nos últimos dez anos, perdemos 63% dos produtores no país e, se mantivermos esse modelo, o pequeno produtor vai acabar. Um detalhe é que a produção dobrou mesmo com essa mudança. Temos que ficar mais eficientes para nos manter na atividade”, afirmou.
Meysson também defendeu que o setor brasileiro se espelhe em países desenvolvidos, como Estados Unidos e Nova Zelândia. “Somos, por exemplo, o único país que negocia o litro de leite e não o quilo de leite. Por que quilos? Porque a indústria trabalha com sólidos, que são as proteínas mais a gordura. A média do Brasil de proteína e gordura é de 6,93 e a da Nova Zelândia é de 9,23. O que acontece com isso? Com o produto com mais sólidos, há maior rendimento e redução de custos na indústria. Com isso, a indústria pode pagar mais ao produtor”, destacou.
Os laticínios comercializam para grandes redes varejistas, o que também gera dificuldades na formação dos preços. “Temos cinco grandes redes que compram 67% de todo o lácteo do Brasil. Essas redes apertam a indústria, que aperta o produtor, e somos a classe mais achatada e a que menos tem representatividade. Falta pouco para o Brasil virar autossuficiente no leite, e a ideia do grupo é que a gente comece a exportar. Como vamos fazer isso se nosso custo é alto? A partir do momento que exportarmos, o varejo vai competir com a exportação, e isso pode melhorar o preço do leite. Temos um dos poucos produtos que não sai do Brasil e, mesmo assim, temos boa participação no Produto Interno Bruto (PIB). A ideia é que as indústrias cresçam e saiam dessas cinco redes também.”
Segundo Meysson, o trabalho será dividido em três frentes. “O trabalho vai ser árduo e dividido em três classes: a primeira é o mercado, que já discutimos; a próxima é a produção; e a última vai tratar de indústrias. Através desses três trabalhos, é formado o grupo de estudos que vai apontar o que vamos fazer para mudar a cadeia do leite. Vamos mudar para o pagamento por sólidos? Como vamos baixar o custo do produtor? O produtor não se importa se ele ganha R$ 3 e o custo é R$ 2,50 ou se o custo é R$ 1,50 e ele ganha R$ 2”, destacou.
Ele ressaltou que toda a cadeia precisa passar por mudanças. “Vai ser um contexto dinâmico, diferente, e vemos que as indústrias também estão precisando dessa mudança. Estamos todos sem saída. A indústria, para crescer, tem que se adaptar. Senão, ela vai estagnar com custo alto e ficar refém das cinco redes. Precisamos mudar a forma. E o pequeno vai acabar? Não, ele não vai acabar, mas vai ter que se organizar em associações e cooperativas.”
Meysson citou como exemplo uma associação do Noroeste do Paraná. “Ontem eu conversei com o presidente de uma associação do Noroeste, onde o produtor de 50 litros estava pegando R$ 3,03 o litro e o de 200 litros estava pegando R$ 3,18. Aqui na nossa região não tem isso porque os laticínios não deixam ou não negociam com associações. A Uniproleite nasceu para que o produtor comece a formar grupos, associações e pequenas cooperativas, e vamos levar isso para as indústrias”, completou.
E o custo?
Meysson defende ainda que o produtor precisa entender o custo real da produção. “Poucos produtores sabem fazer essa conta. A primeira pergunta é: qual é o salário do produtor de leite? Ele não tem um salário, mas trabalha de segunda a segunda. No direito trabalhista, nem pode trabalhar assim. Qual é o custo da produção? Qual é o custo de depreciação das máquinas, da tua estrutura, dos bens materiais e imóveis? Poucos querem que o produtor saiba o custo porque, senão, tu vai cobrar o preço.”
Segundo ele, a entidade busca desenvolver um modelo para calcular o custo de produção. “Estamos brigando para trazer um modelo com o IDR, FAEP, FETAEP e todas as entidades, buscando entender o custo de produção independentemente do sistema, seja a pasto ou confinado. O custo hoje varia de R$ 2,20 a R$ 2,40, é muito alto.”
Meysson também citou a necessidade de considerar todos os custos envolvidos na atividade. “A silagem, por exemplo, muitos produtores não consideram no custo, mas tua agricultura tem que vender para a pecuária. Ah, mas trabalha minha família aqui. Beleza, mas qual é o custo dessa mão de obra? Cada um precisa ter um salário. Esses são parâmetros que temos que colocar. Qual a margem, o lucro, quanto é guardado para investir? Aí falam que, se colocar isso, dá prejuízo, mas a indústria calcula tudo. Por que o produtor não coloca? Ele tem que fazer um custo de qualquer jeito para saber a realidade. Existem tantos aplicativos e softwares que calculam custo, mas nada para o leite”, disse.
Quem quiser informações sobre a Uniproleite pode entrar em contato com Meysson pelo telefone (46) 99122-9422.
Fonte: Portal Educadora