Na quarta, 19, será celebrado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua e, em Dois Vizinhos, um comitê intersetorial cuida do assunto.
Foto: Portal Educadora
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Na próxima quarta-feira, 19 de agosto, é celebrado o Dia Nacional de Luta da População em Situação de Rua. Em Dois Vizinhos, um comitê intersetorial foi criado para garantir atendimento humanizado e os direitos das pessoas nessa situação. Integram o grupo a Polícia Militar, as secretarias de Assistência Social, Saúde, Habitação, Meio Ambiente e Agricultura, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS), o Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS), Associação Empresarial de Dois Vizinhos (ACEDV/CDL) e Departamento de Trânsito de Dois Vizinhos (Deptran-DV).
Segundo a Assistência Social, o município não conta com uma população de rua permanente. As pessoas que estão nessa situação, em geral, têm vínculos familiares fragilizados e enfrentam problemas relacionados ao uso de álcool e outras drogas. Em participação no programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM, o secretário de Assistência Social, Adilson Rosa, destacou as ações realizadas pelo município. “Esse é um desafio de todos os municípios no mundo. No Brasil, a sociedade cobra bastante e o poder público precisa trabalhar para suprir essa demanda. O Dia Nacional da Luta da Pessoa em Situação de Rua foi pensado em virtude de um ataque contra 15 moradores de rua que tivemos em São Paulo, em 2004, em que sete faleceram. Aqui em Dois Vizinhos, por exemplo, tivemos uma situação de agressão a um morador de rua há poucos meses. Por isso, temos que abordar todos os direitos dessa população”, disse.
Ele ressaltou que os órgãos públicos recebem reclamações relacionadas à presença de pessoas em situação de rua. “Temos a parte que chega aos órgãos de segurança pela perturbação do sossego, mas temos outras situações também. Nós precisamos atender essa população. Tínhamos 11 moradores de rua, hoje temos dois ou três, e percebemos que muitas das pessoas que estavam na rua, bebendo ou usando outro tipo de droga, eram pessoas que tinham casa, quitinete alugada e preferiam ficar na rua com os amigos. Muitos deles não eram daqui, eram de fora, e nós estamos buscando, como Assistência Social, fortalecer os vínculos das famílias com eles”, completou.
A coordenadora do CREAS, Gabriela de Campos, ressaltou o atendimento realizado com essa população. “Os que estão aqui já são conhecidos e fazemos a abordagem para entender os motivos. Às vezes, a pessoa estava em tratamento de saúde, saiu, voltou para o convívio familiar, mas brigou e voltou para a rua. Então, buscamos ajudar no que podemos. Tivemos casos em que entramos no carro e saímos procurando uma casa para alugar porque sabíamos que a pessoa tinha benefícios e condições. Os moradores de rua que temos aqui têm Cadastro Único, recebem benefícios do INSS e vivem na rua por outros motivos”, explicou.
Não dê esmola
A Assistência Social também está à frente da campanha “Não dê esmola”. Segundo Adilson, a orientação é que a população procure a rede de atendimento quando quiser ajudar uma pessoa em situação de rua.
“A esmola não vai ajudar essas pessoas, vai prejudicar. Se você quer ajudar de verdade, dar dignidade, não é com R$ 0,50 ou R$ 2 que vai dar dignidade, porque temos um cidadão aqui que está em situação de rua, mas recebe um salário de R$ 2 mil e pouco e está na rua. Esse não precisa de dinheiro. Outros até não têm dinheiro, mas não vão ganhar dignidade com R$ 10. Dignidade vai muito além. É ter uma moradia digna, uma família, poder passear, comprar sua comida, estar com as pessoas que ama. Vai além da mera esmola. Com esmola, você estimula para que a pessoa fique na mendicância”, afirmou.
O capitão Bueno, comandante da 2ª Companhia da Polícia Militar, explicou que a população deve acionar a rede adequada de acordo com cada situação. “Se for uma situação em que a pessoa esteja cometendo um ato ilegal, seja por depredação ou qualquer obscenidade, você deve ligar para a polícia. Se for o incômodo que a pessoa causa por estar no local, mas não necessariamente estar atentando contra alguém ou algum patrimônio, aí sim temos o telefone do nosso comitê, que é 46 99912-1121. Tem toda a nossa rede de atendimento, que vai fazer o acolhimento e selecionar quais órgãos vão dar acompanhamento àquela situação”, conclui.
Fonte: Portal Educadora