Dr. Leandro Moura participou do Programa Sete e Meia e destacou os riscos do uso de medicamentos sem orientação profissional.
Foto: Arquivo/Assessoria
187
Na manhã desta terça-feira, 18, o programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM, recebeu o Dr. Leandro Moura para debater o uso de canetas emagrecedoras importadas e sem registro sanitário. Segundo o médico, o uso dessas substâncias sem acompanhamento profissional pode representar riscos à saúde. “Hoje, qualquer pessoa quer a facilidade, quer uma pílula mágica para mudar seu visual e as pessoas estão colocando a saúde em risco usando substâncias sem saber se há necessidade. As pessoas pagam para ver, sem pensar no amanhã. Aplica-se, perde peso, mas que peso você está perdendo? Hoje, nós moramos próximos à fronteira e temos facilidade de conseguir algumas coisas que são controladas no Brasil, mas você sabe o que está adquirindo? Isso é preocupante. Não estou dizendo que o Paraguai trabalha somente com coisas falsas, mas tem coisas que chegam aqui sem procedência. Temos pesquisas que apontam que, de cada 10 usuários que estão no processo de emagrecimento, cinco compraram esse tipo de substância de um país vizinho. Algumas análises não condizem com o que você espera encontrar dentro da ampola”, destacou.
Ele falou que as canetas podem ser aliadas no processo de emagrecimento, mas que o tratamento exige acompanhamento profissional. “É sempre importante ouvir a opinião do médico, que vai entender como está o funcionamento do seu corpo. Precisamos buscar o histórico. O que você faz pela sua saúde? Como você se alimenta? Qual a quantidade de água que você bebe por dia? O que você faz para movimentar o seu corpo? A obesidade é uma doença crônica que é adquirida. Qual é o motivo? Você é sedentário? Tem algumas alterações que inflamam o metabolismo? Isso pode desregular a tireoide e outros hormônios, o pH intestinal, do estômago e como vai ser absorvida a alimentação pelo corpo. Se o seu corpo não está preparado para absorver, não adianta comer com qualidade. A obesidade não é só pelo que você come, mas pela vida que você leva. Temos que considerar também quantas horas você tem dormido. O seu sono tem sido reparador? Você tem acordado descansado? Tudo isso tem que ser ajustado. Outra coisa: as pessoas precisam entender que atividade física é crucial. Você só vai ter saúde se se alimentar bem e fizer atividade física”, alertou.
O médico destacou ainda que muitas pessoas estão perdendo gordura, mas também massa muscular com a utilização das canetas. “A massa muscular é crucial para a regulação hormonal, para a disposição, energia, para dormir melhor e diminuir a ansiedade e o estresse. A massa muscular é vida. O que acontece? Temos estudos falando que, para ter uma chance maior de sobrevivência dentro de uma UTI, por exemplo, isso está relacionado à massa muscular que você tem. Faça uma bioimpedância e, se a quantidade de gordura que você tem for a mesma da massa muscular, você está correndo sério risco. O ideal é que você tenha 1,5 vez mais massa muscular do que gordura. Quando você usa a caneta, ela tem duas funções: vai reduzir a fome, então você não vai suprir o metabolismo, e o corpo precisa de alimento, calorias, proteínas, vitaminas, minerais, aminoácidos e água. Então, você come menos, isso gera uma subnutrição e, se você não está fazendo atividade física, perde músculo. Se você usa a caneta, precisa comer, mas comer bem e certo. Quando usa a caneta e para de comer, perde massa. Quando você usa a caneta, se alimenta corretamente, com acompanhamento nutricional, e faz exercício, vai ser tudo estruturado para que a gordura seja reduzida e a massa muscular seja preservada”, disse.
Como funciona no Brasil?
No Brasil, as canetas são vendidas somente com receita médica, de acordo com as regras aplicáveis a esses medicamentos. “Em outros países, muitas vezes, não tem esse controle tão rigoroso. No Brasil, você vai gastar uns R$ 6 mil a R$ 9 mil no tratamento para três meses. Você pega esse medicamento no país vizinho e não gasta nem R$ 1 mil. Muita gente pesa no bolso, todo mundo quer economizar, mas, na saúde, isso é um problema. Essas substâncias podem te levar para uma mesa cirúrgica para retirada de vesícula, causar pancreatite e até cirrose. Por isso, elas são substâncias que não podem ser utilizadas de qualquer jeito. Precisam de acompanhamento e orientação. Se o paciente faz acompanhamento, a gente faz exames de período em período para entender como o corpo está recebendo”, completou.
Outra situação alertada pelo médico é que o paciente deve informar, sempre, em casos de urgência e emergência, quando está utilizando as canetas. “Se você passa mal e vai para o hospital, a primeira pergunta que fazem é se você utiliza algum medicamento. Por quê? É a conduta e, baseado no que você ingeriu ou absorveu, se faz o atendimento. Se você fala que as canetas são do Paraguai, você não tem rastreabilidade. De onde vem? Qual a dosagem? As pessoas buscam o meio mais fácil e mais barato e isso pode sair caro lá na frente, na saúde, mas as pessoas acham que nunca vai acontecer nada com a gente. É muito mais difícil corrigir. Por que a pessoa não procura um atendimento para mudar de vida? A pessoa pode economizar agora, perder peso, mas é uma loteria. Nas ruas, você vai encontrar pessoas com o isopor, como se estivessem vendendo picolé, comercializando esses medicamentos. Isso está errado. O ideal é não passar de oito graus de temperatura”, concluiu.
Fonte: Portal Educadora