Trabalho do IDR-Paraná mostra, na prática, os efeitos do manejo adequado da água e do terraceamento nas propriedades rurais.
Foto das lavouras em 2018 e em 2026. Assessoria
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Um trabalho desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná (IDR-Paraná), em Salto do Lontra, chama a atenção para a importância da conservação do solo associada às estradas rurais. De um lado da estrada, com acompanhamento dos técnicos e cuidados adotados desde 2018, a lavoura recebe a água escoada pela via e segue sem erosão. Do outro, a água sai da lavoura em direção à estrada, que não tem capacidade para receber a vazão, provocando uma grande erosão.
O trabalho é acompanhado pelo técnico do IDR-Paraná Marcelo Vicensi. “Dentro do IDR-Paraná, atuamos em propriedades que queiram atendimento pensando sempre na sustentabilidade da produção. Hoje, eu trabalho, praticamente, com lavoura de grãos e o foco sempre foi o solo, desde a correção, rotação de cultura, manutenção de palhada, taxa de infiltração de água e o terraceamento, uma prática que vem sendo deixada de lado em função de máquinas maiores, e percebemos que a erosão está voltando”, explica.
Segundo ele, a compactação do solo é um dos fatores que contribuem para o problema. “Como hoje temos uma questão de compactação de solo, a água não está infiltrando e os produtores, muitas vezes, não acompanham, não conhecem nosso trabalho e acabam largando água na estrada em função do manejo, às vezes, inadequado. Ela não infiltra e precisa escorrer para algum lugar. Com isso, a estrada é utilizada como um desaguadouro, só que ela não foi feita para isso. O que se vê é a erosão, formando um canal onde a água vai formando valetas”, disse Marcelo.
Pelas fotos, é possível observar a diferença que o acompanhamento e o manejo adequado podem fazer na lavoura. “Um produtor tem as curvas de nível interligadas com a estrada, fazendo com que a via largue água na lavoura, e grande parte dela infiltra no solo, não escorre em virtude do bom manejo. O outro produtor tem um manejo diferente, abriu as curvas para esgotar a água na estrada e vem formando valeta. Em 2018, a valeta era pequena. Hoje, em 2026, praticamente cabe um carro dentro, e isso é tudo solo que foi para uma área de manancial, seja rio, nascente ou baixada. Nosso foco é que isso não aconteça”, explica.
Marcelo também destaca outro problema provocado pela erosão. “Nesse caso específico, está se gerando um desgaste, pois, quando dá encontro de veículos na estrada, desvia-se pela lavoura que não tem a valeta, gerando prejuízos”, completa.
Dá mais trabalho?
Marcelo explica que o acompanhamento e a adoção de práticas de conservação não representam, necessariamente, maior demanda de trabalho para o produtor. “O Paraná já foi referência mundial em terraço, mas muitos foram rebaixados ou retirados achando que o sistema de plantio direto daria conta da conservação. Entretanto, observa-se que hoje a erosão está voltando. Não temos programas que forneçam recursos para o produtor voltar com o terraceamento; depende do investimento e da vontade do produtor”, afirma.
De acordo com o técnico, a conservação do solo também facilita o manejo no dia a dia da propriedade. “Para quem tem a conservação do solo, o dia a dia é mais fácil. Se faz a rotação de cultura entre a soja, o milho de verão, o milheto, a questão do feijão que ele utiliza, o trigo, diferentes cultivos com o passar do tempo. Com o solo sempre coberto, o produtor tem aumento de matéria orgânica, mais água retida no solo. Nos períodos de veranico, a planta aguenta mais. Tem o controle mais facilitado das plantas daninhas, onde o produtor coloca muito dinheiro, e fica mais fácil de controlar, sobrando mais dinheiro no bolso e com menos intervenção na lavoura”, relata.
E a produtividade?
Segundo Marcelo, a conservação do solo também está relacionada à produtividade. “Junto com a conservação do solo, temos a produtividade trabalhando em conjunto. É difícil estimar quanto aumenta, mas algumas pesquisas mostram que temos um aumento de produtividade de 15% a 20% quando são adotadas boas práticas de conservação”, afirma.
Ele cita ainda exemplos de propriedades que adotaram o sistema de terraços em nível. “Em outras áreas, muitos produtores estão fazendo o sistema com terraços em nível e, apesar dos eventos de chuva extrema, temos curvas de nível que nunca chegaram nem perto de estourar ou causar erosão. Muitos estão se conscientizando, vendo que todo ano precisam gastar horas-máquina para fechar valetas. Quem faz o investimento passa mais tempo sem precisar entrar com máquina depois na lavoura”, conclui.
Fonte: Portal Educadora com JdeB