Evento reuniu centenas de técnicos, produtores e acadêmicos na Fazenda Experimental.
Foto: Portal Educadora
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Na tarde de quinta-feira, 27, a UTFPR de Dois Vizinhos realizou a 3ª Tarde de Campo sobre o Sistema de Plantio Direto Orgânico (SPDO) e a 15ª Tarde de Campo sobre Plantas de Cobertura. O evento reuniu acadêmicos, técnicos e produtores, que puderam conhecer as estações sobre o SPDO, rotação de culturas no sistema, sistemas agroflorestais e sistemas de capina. Também foram abordados temas relacionados às plantas de cobertura, megaparcelas com e sem terraço, uso de dejetos como fertilizantes, adubação e fertilidade do sistema, plantio direto e escarificação.
“Esses são mais eventos de extensão organizados pelo grupo de pesquisa em ciência do solo. Foi uma oportunidade singular para a comunidade, agricultores, técnicos e estudantes conhecerem os resultados obtidos nesses projetos, que têm longa duração. Temos experimentos com mais de 15 anos e dados concretos para mostrar o efeito de práticas de manejo em plantio direto orgânico, plantas de cobertura e manejo de solo, que visam melhorar os resultados produtivos para o agricultor e a sustentabilidade dos sistemas de produção”, disse o professor Dr. Carlos Alberto Casali.
O professor Dr. Paulo César Conceição destacou os trabalhos realizados. “São informações complementares, pois somos pesquisadores na área de solos, com especialidade em cobertura, manejo e conservação, e transferimos essa expertise para a área de produção orgânica. Por isso, trabalhamos com o Sistema de Plantio Direto Orgânico, que pode ser adotado em qualquer área, mas, nesse caso, exige tecnologia e aprimoramentos especializados. Dentro da área de solos, temos uma bagagem, experimentos com mais de 15 anos de duração. A área orgânica iniciou há oito anos, é mais recente, mas já temos trabalhos de conclusão de curso, mestrados e uma tese de doutorado que foi defendida com esse tema, envolvendo SPDO, rotação de culturas e plantas de cobertura. Nós já temos um conjunto que permite dizer que é possível fazer produção orgânica, apenas precisamos aprimorar os processos”, disse.
Ele também falou sobre o que foi apresentado. “São quatro estações do SPDO e todas elas têm um envolvimento de dinâmica de máquinas e tecnologia para o desenvolvimento dessa agricultura, que exige soluções novas. A UTFPR vem buscando desenvolver, com parceiros, essas alternativas, desde máquinas, culturas ou processos. Na área de solos, o evento é mais tradicional e falamos sobre processos erosivos, plantas de cobertura e fertilidade, um assunto que é mais comum, tanto que a procura foi maior para essa parte de solos. O SPDO é um assunto mais novo, que ainda demanda bastante informação”, explicou.
O professor ressaltou que a instituição de ensino também trabalha na geração de tecnologias para o sistema. “Nós temos uma capinadora que já tem duas décadas, foi abandonada, restauramos e estamos apresentando hoje aos produtores. Além de outra capinadora, que é um projeto da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), aprovado com a empresa parceira Gebana, com três sistemas de manejo de plantas daninhas. O protótipo está sendo validado e temos um rolo especializado para áreas pequenas, pomares e hortaliças, que também está sendo lançado hoje”, completou.
Plantas de cobertura
O professor Dr. Laércio Sartor falou sobre os trabalhos com plantas de cobertura. “Eu apresentei dados sobre fertilizantes, volatilização de nitrogênio de alguns tipos de fertilizantes que estudamos em trabalhos de mestrado e doutorado. Procuramos mostrar como podemos utilizar esses sistemas, a dose que pode ser trabalhada, evitando perdas e sendo mais eficiente. Como aplicamos os recursos, qual fonte é melhor para termos uma melhor resposta do milho, da soja e de outras culturas; a proteção do solo, que envolve as plantas de cobertura; como uma planta consegue reciclar determinado nutriente, buscar um nutriente que a soja ou o milho não consegue e depois fornecê-lo para essas culturas. Tudo isso são estudos que demonstramos aqui em trabalhos de 17 anos e que vêm trazendo confiabilidade muito grande nos resultados obtidos a céu aberto. Não estamos em uma situação controlada de laboratório, dependemos do tempo, assim como o agricultor, e nossas pesquisas buscam reproduzir isso para obter uma resposta correta”, completou.
Segundo Sartor, os trabalhos desenvolvidos podem ser replicados pelos produtores. “Talvez aqui seja mais complicado porque trabalhamos com diversos sistemas de produção. Cada parcela recebe um tratamento, um manejo específico. O produtor pode pegar um deles e replicar, e temos, na prática, produtores que fazem esse manejo dentro dos sistemas. Aqui, estudamos situações que podem melhorar a produtividade no campo. Então, é possível que o produtor replique nas suas terras”, disse.
Fonte: Portal Educadora