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“Dois Vizinhos de hoje é o que sonhávamos na época”, diz ex-prefeito Cassol

Em entrevista para a Rádio Educadora, Olivindo Antônio Cassol, lembrou dos grandes projetos de sua gestão, de 1993 a 1996.

“Dois Vizinhos de hoje é o que sonhávamos na época”, diz ex-prefeito Cassol
  • 01 de Setembro de 2026
  • Foto: Portal Educadora

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A Rádio Educadora 107.3 FM recebeu no domingo, 30 de agosto, Olivindo Antônio Cassol, que atuou como médico em Dois Vizinhos por muitos anos, foi vice-prefeito do município de 1989 a 1992, na gestão de José Ramuski Júnior, e foi prefeito pelo PDT na gestão de 1993 a 1996.

Na entrevista, concedida para a jornalista Renata Pagnoncelli no programa Hoje é Domingo, Cassol lembrou como chegou em Dois Vizinhos. “Vim para Dois Vizinhos por um convite do doutor Gazzalle. Eu lembro de uma frase que ele me falou, ‘Dois Vizinhos precisa de você’, e acabei decidindo trabalhar com ele. Foi muito bom porque ele era um excelente cirurgião. Naquela época, tinha uma coisa que hoje os médicos não fazem mais, nós mesmos tínhamos que fazer a anestesia. Foi assim de 1977 a 1985, quando chegou o doutor Celso, que era anestesista. Ele ajudou a melhorar bastante o nosso trabalho”, contou Cassol.

Com bom humor, disse ainda que a maioria dos partos acontecia por volta das 3 horas da madrugada. “Como médico, eu fiz quase 1 mil partos. Num único dia, fiz seis partos normais”, lembrou.

Mais tarde, ele se tornou médico na Sadia, onde atuou por muitos anos. “Eu fiz especialidade em medicina do trabalho, que a Fundacentro de São Paulo veio dar o curso em Cascavel. O diretor da Sadia me falou que eles precisavam de um médico do trabalho. Eu fui aos finais de semana para Cascavel, foram 400 horas de aulas. Foi muito bom porque a Sadia me chamou e eu fazia três horas por dia lá. Eu levantava cedo, passava a visita no hospital, ia para a Sadia, voltava no consultório e realizava as cirurgias no final da tarde”.

O convite para entrar na política veio através de Teodorico Guimarães, que tinha sido subprefeito do município em 1953, quando Dois Vizinhos ainda pertencia a Pato Branco. “Um dia ele veio consultar comigo e disse que era fã do Brizola, que era o presidente do PDT, e eu inventei de falar que lá em Maravilha (SC), o meu pai foi vereador pelo PTB e, depois disso, ele não largou mais do meu pé. Às vezes, ele vinha medir a pressão e já trazia umas revistas do PDT, do Brizola, do Getúlio Vargas. Eu sempre dava uma desculpa que meu título estava em casa para não preencher a ficha do partido. Um dia eu estava em casa, tomando chimarrão, ali na subida para a subestação da Copel, e estava chuviscando, quando apareceu o seu Guimarães, sem guarda-chuva, todo molhado e, dentro de uma pasta, estava a ficha de filiação do partido. Eu fiquei com dó dele e me filiei ao PDT. Teve uma reunião do partido e o pessoal já cobrou minha presença. Eu não entendia nada de política e fui para ver como era. Na segunda reunião, era a eleição do presidente do partido, que era para ser o Gomercindo Rizzi, mas ele não quis. Quando vi, me elegeram presidente do partido. Na época de lançar o candidato, os nomes eram o José Ramuski Júnior ou o Gomercindo Rizzi. Foi escolhido o Ramuski e, entre os dois, eles fizeram um acordo para que um fosse o candidato a prefeito e outro seria o vice. Só que, na semana seguinte, o seu Gomercindo Rizzi recusou. Então, eu fui de vice e ganhamos. Na outra eleição para prefeito, o pessoal vinha me dizer que tinha que ser eu o candidato. Conversei com pessoas próximas e fui para a campanha”. Ele teve como vice Célio Menegat, recebendo 5.172 votos, contra 4.750 de Ovídio José Constantino (PT), 3.980 de Nereu Carlos Massignan (PSDB) e 1.586 votos de Celso Lucindo Tosi (PTB).

Entre os grandes projetos, o primeiro a ser lembrado por Cassol foi Água Limpa. “Junto com o Ramuski, iniciamos o projeto Água Limpa nas nascentes do Rio Jirau, em três comunidades. Em 15 metros ao redor das fontes, nós plantamos árvores. Ao longo da sanga que formaria o rio, tiramos todas as patentes, que na época eram feitas em cima do rio, para pelo menos 30 metros longe. Colocamos uma cerca, o colono dava os palanques e a prefeitura dava o arame e fornecia todas as mudas através do nosso horto. Eram mudas de árvores nativas, frutíferas ou erva-mate”, contou.

Outra grande conquista foi a compra do terreno e construção da Escola Agrotécnica, instituição que deu origem ao atual campus da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). “O projeto surgiu quando eu era vice-prefeito e, em meu mandato, concluímos o projeto arquitetônico de uma escola agrotécnica e fomos para Brasília com o deputado Ivânio Fumegali Guerra, que marcou reunião com o ministro da Educação, Murílio de Avellar Hingel. O ministro me pediu onde ficava Dois Vizinhos, eu levantei e mostrei no mapa na parede. Expliquei para ele que o município ficava num local estratégico no Sudoeste, próximo de Santa Catarina e da região de fronteira. Eu falei que era médico e ele me contou que estava com problemas por causa da diabetes e assim eu fiz amizade. Na despedida, ele me disse para eu comprar a terra que ele garantiria a escola. Eu, imediatamente, de Brasília, liguei para a Rádio Educadora para dar a notícia. Nós compramos 202 alqueires com o pouco dinheiro que a prefeitura tinha na época, numa área do Gomercindo Rizzi e de um vizinho dele. A prefeitura não tinha caixa, mas fomos pagando aos poucos. O ministro me chamou para assinar o contrato da escola agrotécnica e veio R$ 6,5 milhões, que era muito dinheiro. Fizemos a licitação e quem ganhou foi uma empresa de Londrina, que eu não conhecia, mas fez um bom trabalho. No dia 6 de dezembro de 1996, foi a inauguração”, lembrou.

Na gestão de Cassol, também foi responsável pelo Parque de Exposições de Dois Vizinhos, quando nomeou uma comissão formada por Paulo Romani, Candido Scholl, Mário Marmentini e Janino Mattos Hablich, que ficou responsável por adquirir a área. Os terrenos foram adquiridos de Ervelino Coletti, Dirceu Pelozo e André Fialkoski. “O parque foi inaugurado no dia do município, em 1995. Eu agradeço aos veterinários que construíram a casa deles lá, entre eles o apoio do Jamil Manoel Leal, porque em exposição de animais eles devem passar pela inspeção e isso foi muito importante na época”, disse o ex-prefeito. Em 1995, a inauguração do Parque de Exposições aconteceu com a realização da 2ª edição da Feira Industrial e Comercial de Dois Vizinhos, que naquele ano passou a se chamar Expovizinhos. As atrações musicais foram Jair Rodrigues, Christyan e Ralf, Banda Metrópole, Mattos Nascimento (ex-Paralamas do Sucesso), Osvaldir e Carlos Magrão, Gaúcho da Fronteira, Ira, Kleber e Kelvim, entre outros.

Outro destaque da gestão de Cassol foi a instalação do Parque Industrial 1. “Quem comprou o terreno na época foi o prefeito Ramuski. Já tinha uma área perto do CTG, mas ele não queria fazer lá e comprou outro terreno onde hoje é o Parque Industrial. Nós fizemos a infraestrutura, abrimos as ruas, fizemos calçamento, levamos energia elétrica e água. Construímos um galpão para várias pequenas indústrias, entre elas uma fábrica de bonés e outras”, recordou.

Ele ainda lembrou do projeto de moradia. “Na época, tinha muita falta de casas e nós construímos no bairro Margarida Galvan, conhecido como Mutirão, um bairro que está bonito, com casas boas e bem acolhedoras”, disse.

No final do seu mandato, Olivindo Antônio Cassol decidiu mudar-se para Florianópolis, onde reside atualmente. “A minha filha Rosária já estava em Florianópolis e eu tinha um apartamento onde passava as férias em Santa Catarina. Eu estava lendo um jornal de lá e, na primeira página, falava sobre um concurso para a Eletrosul. Eu pesquisei para ver se tinha vaga para médico porque eu pensei que, se eu ficasse na política, iria morrer cedo. A política estressa muito”, afirmou.

Por fim, ele deixou um recado para a população duovizinhense. “Dois Vizinhos cresceu muito. É uma cidade respeitada na região. Eu quase não acompanhei muito a política, mas os prefeitos que me sucederam fizeram um bom trabalho. Dois Vizinhos de hoje é o que sonhávamos na época. Conseguimos fazer o que nos comprometemos. Eu pude contribuir com alguma coisa. Que os próximos prefeitos procurem sempre atender às reivindicações do povo”, finalizou.

Fonte: Portal Educadora