Delegado falou sobre os processos criminais e administrativos que enfrentou, as dificuldades durante o período e a expectativa de voltar a atuar na Polícia Civil.
Foto: Portal Educadora
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O delegado Joselito Teixeira dos Santos participou, na última segunda-feira, 28, do podcast do repórter Islan Roque para falar sobre os processos administrativos e judiciários que o afastaram das suas funções nos últimos anos. Em fevereiro de 2022, ele foi afastado do cargo para investigações de crimes de peculato, corrupção passiva e prevaricação.
As investigações tinham previsão de duração de 180 dias e se arrastaram até meados de 2026. “Naquela época, eu não sei se foi infantilidade minha, mas me envolvi com pessoas que não queriam o meu bem. Eles estavam no nosso meio apenas para obter benefícios. Em determinado momento, uma dessas pessoas começou a namorar com uma presa e logo veio a pandemia e não podia mais ter visita, foi tudo proibido. Aí ele insistiu, eu falei que não tinha como e aí ele disse que ia levar denúncias para o Ministério Público de que usávamos o espaço para fazer almoço, que tinha funcionário que não era do Estado, conchavo com o prefeito. Ele fez isso, iniciaram as investigações e, numa sexta-feira, teve busca e apreensão do meu celular, de outros parceiros e, em cima do que essa pessoa tinha falado, saiu muita coisa que, a olho nu, a gente via que não tinha fundamento. Em cada situação que tinha cheiro de ilícito, foi aberto um processo. Fizeram um dossiê de quase 300 folhas e a juíza me afastou para investigar. Foram sete processos. Todos na instância criminal e na corregedoria da Polícia Civil”, disse Joselito.
Durante a entrevista, ele esmiuçou os sete processos e falou sobre as dificuldades que teve durante o período. “Minha vida foi um inferno. Você sabe que não deve, mas não sabe o que vai acontecer. Eu respondi sete processos criminais aqui e sete administrativos em Curitiba. Tomava remédio para ansiedade, para dormir, esperando a próxima pedrada que viria. O processo que me afastou foi o da reforma. Eu fui absolvido há dois, três anos, mas aí tiveram os outros que me mantiveram afastado. O início foi difícil, muita gente pensando que eu era bandido. Tudo o que falavam, o povo tratava como verdade e o processo estava rolando. Às vezes, à noite, ia deitar e até pensava em bobagem. Mas também tem meu menino, o Breno, que me deu muita força e foi um dos motivos para enfrentar todas essas adversidades. Foram os quatro anos e meio piores da minha vida. Hoje, quem fez todo esse barulho, por causa de uma visita íntima à presa que eu não deixei, está todo enrolado, respondendo a muitos crimes, com a saúde debilitada, e eu estou aí, graças a Deus, com a mente ainda assimilando, travada, mas já dá para sentir aquele alívio”, celebrou.
Joselito quer voltar a atuar como delegado. “No mês passado, saiu o acórdão do Tribunal de Justiça que arquivou tudo e não tem mais nada que pese contra mim. Não tenho nenhuma condenação e acredito que, depois das eleições, eles devem me designar para alguma comarca. Estou à disposição da chefia. Eu completei meu tempo de serviço já, poderia me aposentar, tem o tempo de quartel, CLT. Eu gosto do que faço, fazia com amor, quando solucionava um caso grave, era um prêmio. Quero ver o desdobramento da direção, os novos delegados estão aí, com sangue nos olhos, e vou tentar acompanhar. No começo do afastamento, pensava em ficar em Dois Vizinhos. Queria voltar e mostrar pros invejosos, pessoas que nem me conheciam, que davam risada. Hoje eu já estou cansado de barulho, talvez preferisse algo mais calmo, ver se me readapto na carreira porque também teve muita mudança tecnológica, mexeu muito”, completou.
História
Natural da Bahia, Joselito foi muito jovem, com sua família, para São Paulo (SP). “Minha mãe teve 13 filhos, dois faleceram e nós ficamos sofrendo em 11. Eu fui o mais novo da família, a seca começou a tomar conta de tudo e uma das minhas irmãs foi pra São Paulo. Ela começou a trabalhar de diarista, arrumou um lugar para nós na periferia e levou todo mundo. Perdi meu pai aos 12 anos, a falta de recursos, a depressão, foi para um manicômio e morreu. Com 18 anos, fui para a Força Aérea, onde fiquei por 15 anos. Saí como segundo sargento. Estava bem ali, mas cismei que seria advogado. Estudei, me formei, fui para Campinas (SP) e fiquei uns quatro anos trabalhando como advogado. Cansei, pensei em voltar para o serviço público e comecei a prestar diversos concursos. Cheguei a estudar 15 horas por dia até passar no concurso de delegado no Paraná, em 1999/2000”, lembrou.
Em 2002, Joselito assumiu seu concurso, atuando em Francisco Beltrão. “Comecei com o Dr. Benedito (Lúcio de Souza), meu primeiro delegado-chefe. Um tempo depois, fui pra Pinhão, até chegar em Dois Vizinhos. Encontrei uma delegacia ainda muito pequena, ruim, cheguei apavorando, montamos uma comitiva para construir a delegacia. Diversos empresários, a população toda ajudou e conseguimos fazer a melhor delegacia do Sudoeste. Até hoje é uma das melhores. Terminamos de construir em 2004 e me mandaram para Guaraniaçu e fiquei um período na região Oeste. Ninguém parava aqui e, em 2015, me convidaram para voltar, a casa já estava construída, bonita e só dei continuidade. Foram sete anos aqui, até 2022. Cheguei com 2 mil inquéritos em aberto e resolvemos quase todos, tinham uns 300 quando saí”, completou.
Fonte: Portal Educadora