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Adapar reforça cuidados de biosseguridade para proteger granjas e evitar doenças na avicultura

Fiscalização orienta produtores a restringir o acesso de pessoas aos aviários, manter barreiras sanitárias e comunicar alterações no comportamento e na saúde das aves.

Adapar reforça cuidados de biosseguridade para proteger granjas e evitar doenças na avicultura
  • 06 de Novembro de 2026
  • Foto: Portal Educadora

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Em meio às preocupações com a Gripe Aviária e a Doença de Newcastle, a Agência de Defesa Agropecuária do Paraná (Adapar) reforça a importância das medidas de biosseguridade para proteger os plantéis comerciais e evitar prejuízos à cadeia produtiva. O assunto foi abordado no Programa Sete e Meia, da Rádio Educadora FM de Dois Vizinhos, que recebeu os médicos veterinários e fiscais de defesa agropecuária Rafael Milhoreto Sponchiado, chefe do escritório regional da Adapar, e Nelson Jessé Rodrigues dos Santos.

A prevenção depende de uma série de cuidados dentro e fora das granjas, por isso, durante a entrevista, os profissionais chamaram a atenção para um comportamento que pode representar riscos à produção: as visitas a aviários comerciais. Segundo Rafael, o crescimento do interesse pela atividade, especialmente na produção de ovos, tem levado pessoas a procurar informações e conhecer estruturas de criação. No entanto, visitar granjas em funcionamento não é recomendado. “Alguém quer começar e busca visitar um aviário e isso a gente aconselha que não se faça. Não se deve visitar aviários comerciais de produtores. Tem muito vídeo na internet, informações sobre isso, o Senar, o Sebrae oferecem cursos de incentivo e instrução. As pessoas não devem arriscar levar um patógeno para um estabelecimento comercial de aves”, alertou.

Ele explicou que, além da Gripe Aviária e da Newcastle, existem outros agentes que podem comprometer a sanidade dos plantéis, como a salmonela. A entrada de doenças pode provocar queda na produção de ovos, redução no rendimento de carne, aumento da mortalidade e prejuízos financeiros aos produtores.

Rafael também lembrou que a atividade exige planejamento e investimentos, e que um problema sanitário pode comprometer projetos construídos ao longo de anos. “O mercado está cada vez mais sensível. Sabemos que o lucro é pequeno, o produtor precisa ser efetivo e qualquer interferência de mercado, de rendimento, de índices zootécnicos atrapalha toda a programação. As pessoas lidam com sonhos, quem está construindo um aviário, empreendendo, tem um sonho de crescer e desenvolver, e muitas vezes uma doença pode acabar com esse sonho”, destacou.

Nelson reforçou que os aviários comerciais precisam ser tratados como ambientes controlados, nos quais a entrada de pessoas e o contato com outras aves devem ser restritos. Ele resumiu essa orientação com uma frase que costuma utilizar nos encontros técnicos com produtores: “Aviário não é zoológico”.

O fiscal explicou que as aves utilizadas na produção comercial passaram por um processo intenso de seleção genética e, por isso, exigem condições específicas de manejo e proteção sanitária. A manutenção da qualidade da água e da alimentação, além do isolamento de outras aves sem controle sanitário, são fundamentais para evitar a entrada de vírus, bactérias e fungos. “Se você tem curiosidade, quer fazer curso, pode visitar uma estrutura modelo sem a necessidade de entrar em um aviário de produção, podendo contaminar uma cama, uma estrutura e levar infecção aos animais alojados”, orientou, citando como exemplo o aviário escola da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR).

Ele também esclareceu que o bem-estar animal e os diferentes sistemas de criação não são incompatíveis com as exigências sanitárias. O problema está em permitir que pessoas sem relação com a atividade produtiva tenham contato direto com as aves e seus produtos. Mesmo serviços de manutenção devem ser organizados, preferencialmente, durante os períodos de vazio sanitário, sem exposição desnecessária dos animais.

Cuidados dentro das propriedades

Para os avicultores, Rafael reforçou que as medidas de biosseguridade precisam ser mantidas diariamente, independentemente da integração à qual pertencem. Entre as recomendações estão impedir a aproximação de pessoas estranhas à atividade, controlar o acesso aos cercados, manter a barreira sanitária com álcool e cal e registrar a entrada de todas as pessoas que acessam a propriedade. Também é importante manter o controle dos procedimentos realizados na granja, incluindo a entrada de funcionários, técnicos e entregadores de ração, além do uso de medicamentos. Qualquer alteração no comportamento ou na saúde das aves deve ser comunicada imediatamente ao técnico responsável. “É extremamente importante comunicar o técnico em qualquer alteração, mortalidade, sinal nervoso, respiratório ou digestivo das aves de criação”, reforçou Rafael.

Nelson acrescentou que o trabalho de vigilância sanitária depende também da observação dos produtores e profissionais que acompanham os plantéis. A redução na postura de ovos, a falta de apetite e o aumento da mortalidade são sinais que precisam ser investigados. Nem toda notificação significa a confirmação de uma doença, mas a comunicação permite que a Adapar avalie a situação e tome as providências necessárias.

Vigilância e proteção da cadeia produtiva

Os fiscais também explicaram que o Paraná realiza programas de vigilância ativa, com coleta de amostras em propriedades comerciais e criações de subsistência. A iniciativa busca identificar a possível circulação de agentes causadores de doenças e comprovar a condição sanitária dos plantéis. As ações seguem diretrizes do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), com propriedades selecionadas por sorteio e abrangência em diferentes municípios. Além da vigilância ativa, há o monitoramento de situações suspeitas comunicadas por produtores, extensionistas e pela população.

Nelson destacou que a preocupação com doenças como a Gripe Aviária e a Newcastle está relacionada principalmente aos impactos sobre a produção comercial. Ele esclareceu que não há risco de transmissão dessas doenças aos seres humanos pelo consumo de carne de aves ou ovos. Os principais problemas estão relacionados à mortalidade dos animais, à redução da produção e às possíveis restrições comerciais.

Rafael lembrou que a manutenção do status sanitário é fundamental para os acordos de exportação. “Quando vamos fechar um acordo com algum país, dizemos: aqui não temos influenza, não temos doença de Newcastle. Aí precisamos provar e, por isso, fazemos a vigilância ativa. Não apenas falamos que não temos, mas comprovamos que nós não temos”, explicou. O chefe regional da Adapar também destacou a dimensão da avicultura no Sudoeste do Paraná. Segundo ele, a região abate aproximadamente dois milhões de aves por dia, envolvendo frigoríficos de municípios como Dois Vizinhos, Francisco Beltrão, Itapejara D'Oeste, Capanema, Pato Branco e São João. “Essa cadeia nos sustenta, movimenta a economia e a sociedade tem que colocar isso em pauta, nos ajudar a proteger a avicultura”, afirmou Rafael, ao pedir que a população respeite as orientações e evite visitas a granjas comerciais.

Ao final, Nelson fez um alerta sobre a necessidade de observar também as aves silvestres. Caso sejam encontrados animais mortos, especialmente aves migratórias, a orientação é comunicar a Adapar, os órgãos ambientais ou as secretarias municipais de Agricultura. “É possível que tenhamos casos de doença rondando aqui e encontrar precocemente é o primeiro passo para evitar que essas doenças encontrem nossas criações comerciais”, concluiu.

Fonte: Portal Educadora